Opinião
Publicada em 08/06/2019 - 20h24min

Elizeu Silva

Educação básica

A mágoa é péssima conselheira. Se os ressentidos que ocupam o poder em Brasília conseguissem se desfazer um pouco do bloqueio autoimposto, que os impede de dialogar com quem se ocupa dos porquês e dos desdobramentos dos fenômenos, saberiam que investir na educação da primeira infância é um ótimo negócio.
Quem dá a dica é o professor James J. Heckman, nobel de Economia em 2000 por seu trabalho sobre desenvolvimento humano. "Aqueles que buscam reduzir os déficits e fortalecer a economia devem fazer investimentos significativos em educação na primeira infância. O melhor investimento é na qualidade do desenvolvimento na primeira infância, desde o nascimento até os cinco anos, para crianças carentes e suas famílias. Começar na idade de três ou quatro anos é um pouco tarde demais", ensina.
E o que fizeram os ministros da Educação e da Economia? Cortaram R$ 2,4 bilhões de que seriam investidos em programas de Educação Infantil. O mesmo ministro que tentou justificar o corte nas universidades dizendo que "para cada aluno de graduação que eu coloco na faculdade eu poderia trazer mais dez crianças para uma creche", autorizou um corte no ensino básico R$ 200 milhões acima daquele que praticamente inviabilizou universidades e institutos federais. Contrariou, também, a declaração do presidente de que "a ideia (do corte) é pegar e investir na educação básica".
Quando os atos não corroboram o discurso, firma-se a percepção de que são palavras soltas ao vento, ditas apenas para fugir do debate público que as ações governamentais suscitam. Ou deveriam suscitar, pois as explicações desonestas acabam por bloquear o diálogo. (A fuga do debate por parte deste governo não deveria surpreender ninguém, dada a estratégia adotada na campanha eleitoral).
A mágoa é um desgosto recolhido que se manifesta no semblante, nas palavras e nos atos, ensina o dicionário Houaiss. Nesse sentido, a guerra contra a educação é a mais inequívoca admissão da ignorância que campeia nesse governo.
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