Opinião
Publicada em 12/06/2019 - 00h30min

Duas pessoas por carro

Reportagem publicada ontem pelo Grupo Mogi News apontou que em todo o Alto Tietê há 770.564 veículos rodando nas ruas dos dez municípios. Os dados liberados ontem pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran) tomaram como base o mês de abril, data do último levantamento. Levando em consideração o ano de 2017, o crescimento foi de 5%; já na comparação com 2018, a elevação foi pouco maior que 1%.
Em termos proporcionais parece pouco, mas avaliando pelos números frios, a região teve um acréscimo de 38,7 mil veículos em dois anos. Na média, há um carro, motocicleta, ônibus ou caminhão para cada duas pessoas, uma vez que a estimativa de habitantes é de 1,58 milhão de habitantes, de acordo com a Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade). É claro que a maioria é composta por automóveis e motocicletas.
Os moradores do Alto Tietê e de todo o Brasil têm todo o direito de comprar um veículo para se locomover. Em muitas vezes ele é utilizado como extensão do próprio corpo ou da personalidade, porém, em outras, os veículos particulares são utilizados em razão do sistema de transporte público deficiente.
No caso dos trens - espécie de locomoção que traz mais segurança e pontualidade para o usuário -, a média de transporte diário das linhas 11-Coral e 12-Safira da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) é de 1,02 milhão de pessoas. Juntas, as duas linhas transportam um terço de total de passageiros da empresa paulista, que é de 3,03 milhões de pessoas por dia. Um levantamento feito em 2015 apontou que nos horários de maior movimento há, na média, 8,1 passageiros por metro quadrado na linha 11, enquanto na 12 há 5,9. O padrão internacional pede até seis nos horários de maior movimento.
Existe aí uma ligação entre o aumento de veículos registrados na região com o sistema de transporte público. Quem puder comprar um carro ou uma moto para se locomover, assim o fará, quem não tiver condições enfrenta o empurra-empurra. Há duas soluções: ou melhora o transporte público ou o trabalho se descentraliza. Caso contrário, daqui a algum tempo, vai faltar ruas no Alto Tietê.
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