Especiais
Publicada em 25/07/2019 - 13h33min

Aos 95 anos, médico Nobolo Mori esbanja saúde e disposição

Alimentação saudável e musculação fazem parte da sua rotina; o fundador do Hospital Ipiranga, filho de imigrantes japoneses, vive em Mogi desde 1939

Nobolo Mori tem 95 anos. Trabalha todos os dias em Mogi das Cruzes, cidade onde vive desde 1939. Acorda cedo e dorme cedo. Ora diariamente; agradece a Deus pela vida e faz apenas um pedido: se tornar, a cada dia, uma pessoa melhor. Mori ainda pratica musculação e anda oito quilômetros durante os jogos de golfe aos finais de semana. Esta é a rotina do médico que, com um grupo de amigos, fundou o Hospital Ipiranga, em Mogi das Cruzes, em 1962. "Faço apenas o que aprendi desde criança: acordar cedo, trabalhar e me alimentar bem. A saúde deve-se à alimentação e à pratica esportiva. Não me sinto velho. Faço tudo o quero e na hora que quero", detalha.
Mori nasceu em 1924, na cidade de Birigui, interior de São Paulo. No entanto, foi registrado somente no dia 6 de janeiro de 1925. O pai dele, o senhor Tosuke Mori, era proprietário de uma fazenda de café. "Eu tive uma boa infância. Pratiquei bastante esporte. Fiz atletismo e beisebol. Aliás, sempre fui um bom esportista", detalha o médico. Os pais dele chegaram ao Brasil a bordo do terceiro navio vindo do Japão. Ambos são da província de Saga. Nobolo conta que eles se conheceram na cidade de Birigui, por meio do 'Omiai' (casamentos arranjados). Casaram-se no início da década de 1920. "Havia uma família, os Ogawa, amigos do meu pai. Certo dia eles fizeram um convite para que nós viéssemos morar em Mogi das Cruzes. Meu pai aceitou e fomos viver em um sítio no bairro do Botujuru. Eu tinha 14 anos", explica.
Foi nesta época que o adolescente Nobolo Mori anunciou que seria médico. "Foi meu pai quem determinou que eu seria médico", disse. Cerca de dez anos depois, o jovem de Birigui ingressou na Faculdade de Medicina da Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro e, em 1953, se formou médico. Passou pelo Pronto-Socorro da Praça da República, em São Paulo e depois de um ano resolveu estabelecer-se em Mogi das Cruzes. Em terras mogianas, o jovem médico se casou com Mieko Koike Mori. A esposa faleceu em maio de 2011. "Visito o túmulo dela três vezes por semana, no cemitério São Salvador", conta.
Uma pessoa melhor
A busca pela evolução moral por meio da paciência e da tolerância são preceitos do Instituto de Moralogia do Brasil, entidade da qual Nobolo é presidente desde os anos 1970. Moralogia é uma ciência que enaltece a importância da elevação do caráter e as práticas morais, visando o aprimoramento interno. Frequentemente o médico participa das reuniões no Centro Educacional de Itapeti.
Relação com Mogi
A vida social e empresarial do médico começou a ser alicerçada na cidade na década de 1960, com a fundação do Hospital Ipiranga, erguido por Nobolo em um grupo de médicos. Em 1962, Nobolo recebeu o Título de Cidadão Mogiano. Anos mais tarde, foi convidado pelo amigo Waldemar Costa Filho, ex-prefeito de Mogi, a compor sua chapa, tornando-se vice. "Waldemar me escolheu como vice-prefeito. Eu era muito amigo dele. Pode ter certeza que eu contribuí muito com a cidade na posição de seguidor das orientações de Waldemar. Ele sempre foi um líder", descreve.
Na opinião de Nobolo, Mogi evoluiu muito nos últimos anos. "Quando cheguei aqui, em 1939, a cidade tinha 100 mil habitantes. Hoje, podemos afirmar que trata-se de uma cidade grande e eu vejo com bons olhos esta evolução", descreve.
Quando o assunto é política, o médico defende o atual governo. "Sinto que o governo Bolsonaro tenta encontrar soluções para que o Brasil se viabilize, mas ainda existem arestas a serrem aparadas", define. Sobre a reforma da Previdência, ele defende que este novo modelo previdenciário deverá colocar o país nos eixos. "Tem muitas pessoas insatisfeitas, mas vejo como um caminho certo", finaliza.
Praça dos Imigrantes
O amor de Nobolo por Mogi está materializado na estátua do Imigrante Japonês, esculpida pelo artista Van der Wiel. O espaço, que simboliza a saga do povo nipônico, fica na Praça dos Imigrantes, no final da avenida Voluntário Fernando Pinheiro Franco e no começo da avenida Fernando Costa. "Eu era aluno do Van der Wiel e servi de modelo para que ele esculpisse aquela estátua", finaliza.
Compartilhe

Video

Mais vistos