Cidades
Publicada em 13/08/2019 - 00h17min

Felipe Antonelli*
Caso Raul Brasil

Procura por psicólogos deve aumentar, diz comissão de pais

Após cinco meses do atentado, volta às aulas pode elevar casos de pessoas procurando atendimento psicológico

Foto: Felipe Claro

Voluntariado na Raul Brasil já prestou atendimento para 90 pessoas em grupo
Com a volta às aulas na Escola Estadual Professor Raul Brasil, em Suzano, a normalidade tende a se estabelecer, passados cinco meses do atentado, quando dois jovens entraram na unidade de ensino e fizeram oito vítimas fatais. Mas ao passo que a rotina retorna à escola, o número de pessoas procurando atendimento psicológico também está aumentando. A informação foi passada ontem pela representante da Comissão de Mães e Pais Pós-Atentado à Escola Raul Brasil, a artesã e mãe de um aluno que estava na unidade de ensino, Cintia de Souza Santos Martins.
A procura por atendimento está relacionada principalmente pelo trabalho voluntariado desenvolvido pela Associação Brasileira de Eye Movement Dessensization and Reprocessing (EMDR), que até ontem já havia atendido em Suzano 90 pessoas em grupo e 87 de forma individual.
No começo das atividades da entidade no município, há pouco mais de um mês, a presidente da EMDR, psicóloga Ana Lúcia Castello, afirmou que a vinda dos profissionais a Suzano iria estender uma mão para as pessoas que estavam necessitando do auxílio. "A associação irá ajudar e amparar as vítimas do atentado de Suzano e também familiares e pessoas que foram afetadas por essa tragédia tão grave, que impactou todo o país'', apontou à época.
Os trabalhos desenvolvidos pela EMDR em Suzano começaram com 15 profissionais, devido a expectativa de grande demanda que foi cogitada à época, entretanto, o número de psicólogos foi sendo reduzido.
"Eu posso falar por experiência própria. Já fui atendida por eles (profissionais da EMDR) e foi maravilhoso. Com métodos que eu nunca tinha visto na vida", avaliou Cintia. Apesar do bom trabalho realizado pela entidade, a procura pelo atendimento caiu, devido a falta de divulgação do serviço, como destacou a representante da comissão de pais, Cintia. "O acesso a todos os pais e alunos é complicado, não são todos que vão às reuniões e assim a gente consegue falar com todos", lamentou.
De acordo com a EMDR, o cuidado e o tratamento com as pessoas que passaram por essas situações são de extrema importância, pois traumas não trabalhados fazem com que as lembranças se tornem angustiantes, produzindo na pessoa afetada insegurança, medo e incapacidade, além de falta de sono, ou vontade extrema de dormir, desânimo, perda de apetite. A compulsão alimentar, que também pode ser desencadeada, segundo a associação, está associada a traumas não tratados.
*Texto supervisionado pelo editor.
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