Cidades
Publicada em 24/08/2019 - 00h15min

Lilian Pereira
Justiça

Júri das chacinas avança pela madrugada e segue indefinido

Depoimentos se arrastaram durante o segundo dia; policiais são acusados pela morte dos jovens em 2014

Foto: Felipe Claro

Mães das vítimas estiveram novamente em frente ao fórum durante o julgamento
O segundo dia do terceiro júri popular das chacinas ocorridas entre os anos de 2013 e 2015 em diversos bairros de Mogi das Cruzes, que vitimaram 26 pessoas, teve início ontem, às 10h20. Até o fechamento desta edição, por volta da meia-noite, o julgamento ainda não havia sido concluído.
Durante o dia, apesar de não haver muitas pessoas acompanhando o processo pessoalmente, o clima de esperança unia cada uma das mães e familiares das vítimas. "Estou esperançosa de que tudo vai dar certo, de que a Justiça será feita", contou, antes do início do julgamento, Regina Simão, mãe de Rafael, uma das vítimas assassinadas em abril de 2014.
Anteontem, no primeiro dia de júri, 20 pessoas foram ouvidas, quatro dispensadas e cinco não foram localizadas pela Justiça, de acordo com informações disponibilizadas pelo Poder Judiciário. Inicialmente, 37 pessoas seriam ouvidas.
Os réus, o ex-policial militar Fernando Cardoso foi julgado nesse processo por associação criminosa armada, seis homicídios consumados e três homicídios tentados. Cardoso responde pela morte de Reverson Otoni Gonçalves, ocorrida em 4 de abril de 2014, e de Renato José Nogueira Neto e Rafael Simão de Oliveira Sarchi, assassinados em 26 de abril do mesmo ano.
Ainda, as mortes de Marcus Vinicius dos Santos, Matheus Justino Rodrigues Costa e Thiago Nogueira Novaes também foram julgadas, bem como as tentativas de homicídio de Leonardo Teixeira da Silva e Gabriel Graça Batista. O grupo de jovens estava na rua Professor Gumercindo Coelho quando o caso aconteceu, no dia 8 de julho de 2015. Já o PM Vanderlei Messias de Barros respondeu por associação criminosa armada, três homicídios consumados e dois homicídios tentados.
Em novembro do ano passado, quando a série de julgamentos foi iniciada, Cardoso foi inocentado durante o primeiro júri popular de um homicídio que aconteceu em novembro de 2013, no qual estava sendo acusado pelo MP como autor da morte de Matheus Aparecido da Silva, de 16 anos, e por homicídio tentado de outros dois jovens, na madrugada do dia 15 de novembro daquele ano.
Já em fevereiro deste ano, Cardoso e Barros foram absolvidos no segundo julgamento, no qual estavam sendo acusados pela morte de Rafael Augusto Vieira Muniz e Bruno Gorrera, de 2014. "Temos de olhar para as vítimas, elas são fáceis de serem esquecidas, na maioria das vezes, muitas morreram, outras sobreviveram, como o caso de hoje. Temos de olhar para essas vítimas, porque no dia seguinte pode ser qualquer um de nós", disse o promotor Lisboa Filho, ao júri.
A defesa dos réus afirma que Cardoso e Barros são inocentes. Em depoimentos, os acusados também afirmaram que não cometeram os crimes. "Entendo que os verdadeiros culpados devem ser localizados, mas não é pegar duas pessoas que não têm nada a ver e está tudo certo. A inocência deles vai ficar clara e cristalina", destacou o advogado Nilton Vivan Nunes.
Caso Rayane
O segurança Michel Flor da Silva, de 28 anos, assassino confesso da adolescente Rayane Paulino Alves, de 16 anos, morta em outubro do ano passado, vai à júri popular no próximo dia 30 no Fórum de Braz Cubas. Silva responde pelos crimes de homicídio, ocultação de cadáver e estupro.
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