Opinião
Publicada em 11/09/2019 - 23h14min

Há lugar para todos

Há dois pontos a serem analisados na proposta vinda da Câmara de Mogi das Cruzes em aumentar o número de vendedores ambulantes nas ruas da cidade. Em uma ponta, há o aumento da oportunidade de emprego em um período ainda muito difícil da economia nacional. Na outra, há comerciantes que pagam aluguel de um ponto fixo e sofrem com uma concorrência cada vez maior dos vendedores de rua, que muitas vezes se utilizam de locais nobres, porém, sem o pagamento do aluguel.
Do ponto de vista dos vendedores, a criação de mais licenças para este serviço é benéfica, pois muitas pessoas sobrevivem por meio do comércio nas ruas e há cerca de dez anos novas licenças estão congeladas para esse tipo de trabalho em Mogi. A proposta dos vereadores Iduigues Martins (PT) e Francimário Macedo, o Farofa (PL), visa incentivar e facilitar o trabalho legalizado. De acordo com os parlamentares, o comércio nas ruas pode ser uma forma de movimentar o turismo na cidade, como ocorre em outras localidades, principalmente com o comércio de alimentos. A sugestão é que lugares onde não há presença de ambulantes, como a avenida Japão e a rua Thuller, sejam pontos para impulsionar esse comércio, gerando mais emprego e renda. O vereador Farofa afirmou, ainda, que a Secretaria de Segurança estuda mais de cem localidades em Mogi para oferta dos empreendimentos de rua.
Na outra ponta, esse modelo de comércio, que existe há muito tempo, gera descontentamento por parte dos lojistas que pagam impostos para ocupar o espaço, ao contrário dos ambulantes. A insatisfação também vem dos passageiros que utilizam os trens da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Apesar do número de apreensões e campanhas terem aumentado, eles ainda se utilizam do meio de transporte para venda de produtos. Apenas neste ano, as apreensões aumentaram em 50%.
O assunto é delicado e tudo parte de um projeto bem elaborado de ampliação do número desses autônomos, de forma que não atrapalhe os outros comerciantes. E que beneficie a população e o turismo local, sem que sejam vistos como um contratempo na cidade.
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