Opinião
Publicada em 11/09/2019 - 23h13min

Cedric Darwin

Prime

O anúncio pela Amazon do serviço de assinatura Prime abalou o valor de mercado das principais empresas de vendas on-line do Brasil como a Via Varejo, a Magazine Luiza, a Submarino e suas coligadas. O serviço oferecido pela Amazon consiste na cobrança de uma assinatura anual, com pagamento de
R$ 9,90 por mês.
A vantagem da assinatura é a oferta de frete grátis e rápido para alguns itens vendidos no portal, o que afeta diretamente outros sites. Além disso, o assinante tem acesso a filmes e séries, um ataque direto à Netflix que oferecendo apenas isso cobra o dobro do preço. A assinatura também garante acesso ao acervo de dois milhões de músicas, concorrência direta com Spotify que cobra o mesmo valor por apenas esse serviço. Em um único movimento, lançando um serviço de assinatura Prime, a Amazon fulminou varejistas e provedoras de conteúdo. Uma verdadeira revolução, até que logo depois venha outra.
O comércio já sentiu há muito o impacto das vendas on-line. Muitos ramos desapareceram, como as livrarias, por exemplo. Quando ainda se lê em papel, se compra de forma virtual. O acesso do brasileiro à internet e o fim do temor de comprar on-line fará com que gigantes como a Amazon se tornem ainda maiores e mais poderosas. Parece um caminho sem volta: da TV, para os cinemas, deles para os vídeos cassete, DVD, blue Ray, streaming pago e amanhã não se sabe.
O avanço tecnológico destrói negócios que mal tiveram tempo de se estabelecer. Trocam-se anos por meses e algo que parecia genial e lucrativo simplesmente se inviabiliza economicamente por uma inovação. É possível que em pouco tempo essa pequena revolução digital nada signifique e uma nova gigante domine o mercado. Ser Prime, nesse caso, está longe de pagar mais: é pagar menos e ter mais. Essa parecer se a tendência do futuro, mas sempre em larga escala. A mudança de comportamento de consumo ceifa milhares de empregos tradicionais e impacta de forma muita rápida a sociedade, não dá nem tempo de se adaptar e tudo já mudou novamente.
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