Opinião
Publicada em 26/10/2019 - 23h23min

Combate ao bullying

Mais do que moda, como boa parte da população costuma chamar, o bullying se tornou coisa séria no Brasil. O nome pode ter sido importado da língua inglesa, mas os problemas enfrentados por jovens brasileiros parecem estar arraigados em nossa cultura, a qual ainda permite fazer piadas com mulheres, negros e homossexuais.
Por muitas vezes é proferido que, antigamente, não existia nada disso, as crianças se resolviam entre elas. Pode até ser, mas os tempos são outros, mesmo que faltem dados que comprovem essa mudança de comportamento, as clínicas de psicologias são mais frequentadas do que décadas atrás, o que pode sugerir duas coisas: ou as pessoas possuem mais problemas e não têm tempo para a tristeza ou a informação é melhor difundida do que era no milênio passado, mas talvez seja difícil traçar um paralelo certeiro sem um levantamento bem feito.
No caso do bullying, no qual há dados aos montes, uma recente pesquisa revelou que essa prática nas escolas brasileiras é duas vezes maior do que em outros países. Os números são da Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (Talis, na sigla em inglês), que foi divulgada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
O levantamento, feito com mais de 250 mil educadores de 48 países, mostrou que 78% do tempo gasto dentro de sala de aula são utilizados para a aprendizagem, o restante é utilizado para funções como chamada ou manter os alunos em ordem. No Brasil, o tempo aproveitado para a aprendizagem é de 67%, o que para os autores da pesquisa acaba criando um ambiente para o bullying. A mesma pesquisa indica que 28% dos diretores escolares brasileiros presenciaram algum tipo de intimidação na escola, número que também se revela o dobro da média da OCDE.
Na semana passada, durante o Dia Nacional de Combate ao Bullying, escolas da região promoveram ação para diminuir essa prática no Alto Tietê. A atitude é louvável, quanto mais tempo para aprendizado, melhor será o conhecimento e a saúde de alunos e professores.
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