Polícia
Publicada em 23/11/2019 - 19h55min

Superação que vem de berço

Atual presidente da Rede de Combate ao Câncer Guiomar Pinheiro Franco deu os primeiros passos na entidade, em 1961, ao lado da mãe, Haydée, fundadora da instituição

O pingente no cordão com o apelido Beth, que descansava no colo daquela senhora de cabelos pretos, sorridente, perfumada e muito bem maquiada, logo revelava a sua identidade: Elizabeth. Sim. A atual presidente da Rede de Combate ao Câncer Guiomar Pinheiro Franco, que recebeu o Mogi News em sua casa no centro da cidade, é conhecida carinhosamente por todos que a cercam como Beth. No entanto, há uma história de superação que afixou um Antonia, em homenagem a Santo Antônio, antes do nome de rainha britânica. Sendo assim, a identidade desta mogiana de forte personalidade é: Antonia Elizabeth Brasil de Carvalho Nogueira, nascida de forma prematura, em maio de 1948, e que vingou após a família construir uma encubadora improvisada em casa com tijolos aquecidos em um fogão de lenha. "Minha mãe fez uma promessa para Santo Antônio que, se caso eu vingasse, meu nome, antes de Elizabeth, seria Antonia. Como eu já era conhecida como a Beth, mesmo antes de nascer, então assim eu continuei sendo", detalhou.
A autora da promessa, Haydée Brasil de Carvalho (já falecida) foi a fundadora da Rede Feminina de Combate ao Câncer em Mogi das Cruzes, em 1961. Beth passou a juventude acompanhando de perto os trabalhos sociais desenvolvidos pela mãe junto à instituição. "A dona Carmem Prudente era a fundadora da Rede de Combate ao Câncer de todo o Estado de São Paulo e ela fundou a rede Carmem Prudente. Nesta época, meu pai, Paulo Pereira de Carvalho, era presidente do Rotary de Mogi. A dona Carmem veio em um jantar festivo no Rotary e conheceu a minha mãe. Foi aí que ela a convidou para fundar uma rede de combate ao câncer aqui na cidade. Minha mãe ficou um ano na presidência e depois passou o posto para a dona Guiomar Pinheiro Franco e ela ocupou o cargo até o final da vida", detalhou.
Em 1995, a mãe de Beth faleceu. E foi neste mesmo ano que ela se aposentou das atividades como professora de Português. Diante das mudanças proporcionadas pela vida, a atual presidente da RCC resolveu seguir a missão de sua mãe dentro da instituição, que visa dar qualidade de vida aos pacientes que enfrentam a dura batalha contra o câncer. "Quando minha mãe faleceu eu me senti na obrigação de entrar no lugar dela. Eu entrei em 1996 e estou até hoje. Em 2000, a rede se desvinculou da de São Paulo. Antes, tudo o que era arrecadado aqui nós enviávamos para São Paulo. Com a desvinculação cada cidade ficou responsável pela sua rede. Antes, era Rede Feminina de Combate ao Câncer Carmem Prudente, depois ficou Rede Feminina de Combate ao Câncer Guiomar Pinheiro Franco. E, uns tempos mais adiante, fomos obrigados a tirar o termo "feminina", complementou.
Desde então, Beth vem se dedicando de forma voluntária à RCC, principalmente promovendo eventos para angariar donativos para os pacientes. "É uma satisfação grande poder ajudar alguém. Temos muitos pacientes carentes que precisam de fraldas, de materiais de higiene, de um leite, de remédios... Quase todo mês fazemos atividades para arrecadar fundos para darmos mais conforto para estes pacientes. Todo ano, por exemplo, tem o McDia Feliz", explicou.
Trabalhando há mais de 20 anos diretamente com pacientes com câncer, Beth afirma que, nos dias atuais, por motivos pelos quais ela desconhece, a incidência da doença tem aumentado. "A gente percebe isso. Trata-se de uma doença muito triste e o tratamento judia demais da pessoa. E, infelizmente, o paciente tem de fazer. Ele não tem para onde correr. Então, a nossa meta é sempre dar um pouco mais de conforto, um leite, uma fralda, um alimento. Tanto que eu há muito tempo vejo este sofrimento das pessoas com o câncer e isso fez com que eu encarasse melhor a doença do Ayrton (o marido, Ayrton Nogueira, morreu de câncer em 2016). Ele sofreu bastante, foram quase dois anos sofrendo, mas temos de encarar e continuar a vida.
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