Polícia
Publicada em 02/12/2019 - 17h31min

'Sou uma pessoa extremamente feliz'

Formado há 39 anos, o cirurgião-dentista, José Benedito Lemos, seguiu influência familiar e tem consultório na Vila Santista

Assim que concluiu uma cirurgia delicada, que teve mais de 10 horas de duração, o cirurgião se dirigiu aos familiares para dizer que tudo havia corrido bem. Neste momento, a esposa do paciente entregou ao doutor um pequeno terço de Nossa Senhora das Graças. Disse que aquele era um presente encaminhado pelo seu marido, que ainda se encontrava sedado no pós-operatório. O símbolo católico estava enroscado na sandália do paciente ao dar entrada no Hospital Luzia de Pinho Melo, em Mogi das Cruzes, após ter o rosto atingido em cheio por um abacateiro. "Nem preciso dizer o quanto isso significou para mim", explicou o cirurgião-dentista, especializado em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, e professor da Faculdade de Ondontologia da Universidade de São Paulo (USP), o mogiano José Benedito Dias Lemos, 63 anos, formado há 39 anos. 
O cirurgião, que aos 18 anos sofreu a perda repentina do pai, Antonio de Padua - o provedor da família teve um infarto fulminante - se define como sendo uma pessoa extremamente feliz, afortunada e rodeada de anjos da guarda. Está na área da Saúde por vocação e se dedica integralmente aos seus pacientes e alunos, levando em conta um ensinamento que aprendeu na época da faculdade: "Eu sempre imagino que a pessoa que eu estou atendendo é alguém que eu gosto muito. A nossa matéria-prima é uma criação divina", explicou, sorrindo.
Lemos recebeu a reportagem do Mogi News em seu consultório na região da Vila Santista, em Mogi das Cruzes. Na estante, duas réplicas de crânios humanos chamam a atenção. Uma preta, que na verdade trata-se de uma peça decorativa, e a segunda, bem mais real, uma ferramenta didática com, inclusive, marcações de nervos. "É modelo feito por meio de um crânio real. Utilizo para explicar aos pacientes que tipo cirurgia vai ser feita", disse ao exibir o objeto.
As peças anatômicas dividem espaço com dezenas de livros. Um deles traz na capa o termo "Bruxismo", que é o hábito de pressionar e ranger dentes. Esta é uma das especialidades do dentista. "Nós trabalhamos com todos os ossos das face, nariz, e mandíbula. São quinze ossos no total", detalhou, exibindo a réplica do crânio que, segundo ele, tudo leva a crer que se trata de uma estrutura óssea de um homem jovem.
Antes de ingressar na faculdade de Odontologia, Lemos chegou a cogitar que seguiria a carreira militar. Entrou no serviço militar um ano antes como voluntário. "O Tiro de Guerra antes era uma Unidade de Infantaria. A instrução era algo muito diferente do que é hoje. O Tiro de Guerra atualmente tem uma importância social muito grande porque ele forma cidadãos e ensina muitos valores de cidadania. Eu saí como cabo, infante e combatente", contou.
Assim que se formou, o mogiano chegou a procurar o Quartel General do 2º Exército e o 4º Comando Aéreo para continuar, mas sua vocação não estava ali. "Eu, infelizmente, perdi meu pai 16 dias depois de ter começado o serviço militar e eu tive uma demonstração do que é chamado de espírito de corpo, que é uma solidariedade que existe entre os militares", relembrou.
Anos antes, ainda criança, Lemos fez um tratamento dentário com um casal de primos. Recebeu um atendimento bem mais humanizado se comparado ao tratamento que ele tivera antes com um outro profissional. "Quando eu era criança os tratamentos dentários eram pesados. Para começar, não existia agulha descartável. Então, você sentia a dor na hora da anestesia e era capaz de ouvir o barulho da agulha entrando. O motorzinho era de corda e a anestesia só era dada pra extração. Além disso, a cadeira parecia de barbeiro. Então, quando fui atendido pelo meu primo Raul (já falecido) e a sua esposa acabei admirando tanto o jeito deles que pensei em um dia trabalhar na área da Saúde", contou.
Lemos juntou este desejo com sua desenvoltura nas aulas de biologia e decidiu que seguiria o caminho da Odontologia. "Quando eu era criança, no Placidina, tinha gincanas e eu me dava bem quando eram perguntas de Biologia. Ou seja, eu já tinha vontade de seguir este caminho", finalizou.
Compartilhe

Video

Mais vistos