Editorial
Publicada em 31/12/2019 - 03h59min

Dirceu Sousa

A conta não fechou

Para boa parte da população brasileira, o final do ano chega com um sabor relativamente amargo. Depois de um longo período atribulado e recheado de problemas de toda ordem do governo petista, os eleitores apostaram no discurso conservador de um candidato de origem da direita e colocaram no comando da nação o presidente Jair Bolsonaro. A expectativa era que o novo mandatário pudesse fazer a população esquecer o governo anterior com mudanças significativas, principalmente na área econômica. Não foi o que aconteceu. Bolsonaro começou o mandato em janeiro com um bom apoio popular, mas passou os primeiros 12 meses se esquivando dos efeitos negativos das palavras impensadas e viu sua aprovação cair significativamente.
A economia continua estagnada, o nível do desemprego permanece alto e as esperanças das pessoas vão se esvaindo. O presidente precisou trocar ministros e teve de acalmar os ânimos provocados pelas peraltices dos filhos também eleitos. Se já é difícil comandar o país com apoio da família e dos políticos mais próximos, imagine promover uma mudança radical tendo de enfrentar fogo amigo. É dura a vida de Bolsonaro.
Apesar disso, uma legião de simpatizantes ainda acredita que o caminho traçado pelo presidente está correto e que para se chegar à plenitude da soberania nacional é preciso enfrentar a fase mais crítica com mão pesada e ações firmes. Seus eleitores são simpatizantes das atitudes radicais como forma de alcançar mudanças instantâneas. Muita gente entende que, se este é o preço a se pagar, ele deve ser quitado sem constrangimento. Para esta parcela da população, o primeiro ano de Bolsonaro foi positivo e a proposta de acabar com a corrupção segue em alta na pauta de salvar o país do perigo do socialismo.
O fato é que, ao final do primeiro ano de governo, a conta não fechou. Muito do que foi prometido pelo presidente não passou de devaneio de campanha e as realizações, sustentadas pelo radicalismo, desagradaram a boa parte dos brasileiros. Como ainda restam três anos do mandato, é possível que Bolsonaro consiga reverter o quadro. Isso, porém, só o tempo dirá.
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