Opinião
Publicada em 24/01/2020 - 00h14min

Na contramão

A região está virando um verdadeiro canteiro de obras no que diz respeito a reformas de ruas e avenidas. Estão sendo propostas alterações para vias como a Miguel Gemma, em Mogi das Cruzes, e a Duchen, em Suzano. Mais recentemente, a avenida das Orquídeas foi inaugurada com a promessa de melhorar o trânsito entre as duas cidades. Mesmo com tantas obras ainda é possível observar vias completamente esburacadas no Alto Tietê, porém, toda a parte de mobilidade urbana se mantém voltada para os carros. Está na hora de repensar esse modal.
Não queremos aqui dizer que essas reformas não são importantes, são sim. O dinheiro pago no Imposto sobre Propriedades de Veículos Automotores (IPVA), do qual 50% são destinados para o município onde o veículo roda, deve ser implantado nesse setor. Mas isso é outra história.
Com o Meio Ambiente em pauta - está aí o Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, para ratificar o momento - e a população ainda crescendo, mesmo que de forma mais tímida do que anos atrás, a mobilidade deve ser pensada sob o prisma daqueles que não utilizam carros e motos particulares.
Há quase cem anos, a capital paulista apresentava o seu Plano de Avenidas. Um dos autores era o então prefeito Francisco Prestes Maia (1896-1965), que ajudou a estruturar a metrópole para receber mais veículos particulares. Sem ter a pretensão de comparar, mas, na mesma época, Londres, na Inglaterra, já tinha linhas de metrô funcionando. O fato é que a proposta acabou preterindo o transporte de massa para abraçar o automóvel.
Um século depois parece que nada mudou. Mesmo com a possibilidade de intercalar modais de transporte, pouco se fala na integração. Estações de trem na região possuem estacionamentos para bicicletas, mas os dois sistemas não se conversam, há poucas rotas - seguras - para ciclistas.
Seria o caso de alavancar a bicicleta como meio de transporte. Vias que ligam boa parte da região, que tem origem em São Paulo, têm a vantagem de serem planas e com a via férrea correndo ao lado. É hora de pensar nisso, o mundo está mudando nesse sentido, teremos de mudar também.
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