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Publicada em 23/01/2020 - 00h37min

Paulo Passos

Folha corrida

Por demais conhecido o caso do goleiro Bruno que, de ídolo do Flamengo se transformou no monstro mineiro, ao, fugindo de suas responsabilidades, matar a amante Eliza Samudio, segundo testemunha da época, servindo o corpo como refeição a cachorros que guarneciam a chácara onde o crime se deu.
Após os trâmites processuais, tendo cumprido parte da pena à qual foi condenado, permitiu-lhe a Justiça que ganhasse a liberdade. A partir de então, não consegue exercer sua profissão, eis que, os clubes que se interessam por seu futebol recebem críticas as mais variadas, chegam a ser execrados.
Em programa veiculado por prestigiada rádio paulistana, na manhã de ontem, mais uma vez o assunto veio à tona. Próximo a contratá-lo, o presidente do clube Operário, de Mato Grosso, foi entrevistado na Rádio Bandeirantes, submetendo-se a explícito bombardeio dos repórteres encarregados das perguntas.
O preconceito demonstrado pelos profissionais da Imprensa, que, nas entrelinhas, exortavam que homicidas não merecem segunda chance, ou, ao menos exercerem suas funções quando deixam o cárcere, traduz algo bastante comum na sociedade brasileira.
A mácula acontecida quando o homem, desviando-se do correto, adentra campo ilícito, tem a tendência de deixar marcas permanentes.
Pouco importa, ao que parece, se pagou pelos seus erros, se buscou, nesse sistema extremamente falho e corrupto dos presídios se recuperar, se houve arrependimento pelos atos perpetrados.
Uma vez prisioneiro, a marca escarlate que o identificou, serve-lhe de "folha corrida" que inibe as chances de trabalho. A experiência das masmorras, "sob pena de contaminar", deve permanecer longe dos "seres de bem". Interessante que, os mesmos que apedrejam, vêm a público em altos brados, reclamam de tudo e de todos, quando a criminalidade se eleva.
Parece difícil se compreender que, alienados, os antigos detentos buscarão, novamente, por seus pares, reincidindo em práticas das quais, talvez, quisessem se afastar.
Com isso, o prejuízo social é inevitável.
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