Editorial
Publicada em 05/01/2020 - 01h59min

O exemplo da água

A crise hídrica que surpreendeu o Estado de São Paulo, em 2014, transformou a água em um produto cujo valor atualmente extrapola os parâmetros meramente financeiros. Ao enfrentar a escassez, cinco anos atrás, que levou o índice do Sistema Cantareira, principal fonte de abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo, a níveis inferiores a 5% do armazenamento, incluindo o chamado volume morto, a população precisou reaprender a utilizar a água.
Com as torneiras secando e as fontes naturais não se renovando, foi necessário o envolvimento de todos para superar a crise. As pessoas tomaram consciência e passaram a economizar água, evitando o desperdício, para não ter de entrar em estágio de racionamento. O governo, por sua vez, realizou obras para a transposição entre os sistemas produtores e corrigiu falhas históricas de vazamentos em tubulações. Também criou campanhas publicitárias no sentido de sensibilizar a população a respeito do uso adequado da água. As ações foram positivas, equilibraram o volume de água nos reservatórios e a vida da população, ao menos na questão do abastecimento, voltou à normalidade.
Reportagem publicada ontem nas edições do Mogi News e Dat mostra que o índice de armazenamento no Sistema Produtor do Alto Tietê, conjunto de cinco represas na região, abriu o ano em 77,2% da capacidade. A média de ocupação dos reservatórios em 2019 foi superior aos 90%, patamar que tem sido constante nos últimos anos.
Classificado como nível satisfatório, o termo tem mais o sentido de precaução do que de categoria. Somado ao que vem por aí na temporada das chuvas mais fortes, o volume é suficiente para abastecer a região neste ano. Mas todos devem ficar atentos ao consumo da água e seguir com a prática de uso consciente, sem desperdícios.
O exemplo da crise passada que mudou o comportamento das pessoas é uma demonstração de que as reformas só ocorrem a partir de situações mais delicadas. Infelizmente, a natureza humana é assim: o aprendizado é mais eficaz quando transmitido pela autoridade da dor.
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