Editorial
Publicada em 16/01/2020 - 01h31min

Desconfiança

Por mais que o governo federal se esforce em tomar atitudes aparentemente positivas para resolver seus problemas imediatos de ordem econômica-social, as ações sempre encontram eco na interpretação dos especialistas e retornam carregadas de sentimento de precaução, situação típica de uma população ansiosa por trocar a crise financeira pela estabilidade na vida.
Na terça-feira passada, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fez dois anúncios impactantes que, à primeira vista, entrariam na categoria de conduta politicamente correta. O primeiro foi a proposta de reduzir a fila do INSS a partir da criação de uma força-tarefa para acelerar a análise dos processos de aposentadoria, cujo volume é hoje um problema crônico da Previdência Social. Para tanto, o governo lançaria mão de um contingente de 7 mil militares da reserva para dar apoio à iniciativa.
Porém, na avaliação da Comissão de Direito Previdenciário da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), de Mogi das Cruzes, por exemplo, o processo de abreviar a avaliação dos pedidos poderia levar à maior incidência de erros no cálculo dos valores dos benefícios. Segundo alerta do presidente da comissão, o advogado Alexandre Cavalcante de Góis, a tentativa de solução traria o risco de criar um problema ainda maior. Além disso, o custo da operação está estimado em R$ 14,5 milhões por mês.
A segunda ação de Bolsonaro é ainda mais abrangente, pois atinge diretamente o assalariado e reflete em diversos outros cálculos, pois é um valor de referência: o salário mínimo teve uma correção no reajuste e passa, a partir de fevereiro, para R$ 1.045, R$ 6 a mais daquilo que havia sido anunciado na virada do ano. O problema é que o aumento tem efeito de bola de neve, pois incide no preço de muitos serviços, e pode acarretar no crescimento das despesas. De acordo com estimativa do Ministério da Economia, o reajuste representa um impacto fiscal da ordem de R$ 2,3 bilhões somente para este ano.
O que fica evidente é que o clima de desconfiança que impera na população brasileira tem representado um dos maiores adversários do atual governo.
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