Editorial
Publicada em 21/01/2020 - 00h37min

O nó da questão

Como toda questão polêmica neste país, o pancadão - sinônimo de entretenimento para os jovens, principalmente os das comunidades periféricas - possui também um lado negativo que é, em primeira instância, representado pelo incômodo gerado aos moradores do entorno onde é realizado, pois seu espaço físico está nas ruas, sem qualquer tipo de aparato que possa reduzir a poluição sonora provocada pelo alto volume das músicas.
Há, porém, um aspecto ainda mais delicado, de cunho social, que preocupa tanto os pais dos frequentadores como a polícia, responsável pela manutenção da ordem e bem-estar das pessoas. Boa parte dos encontros se transforma em agrupamento que reúne, sem nenhum tipo de controle, o trânsito livre de bebidas alcoólicas, a presença de menores de idade e, o mais grave, o consumo de drogas. Assim, o pancadão entra na escala de bomba-relógio, prestes a explodir sem o menor aviso prévio.
A memória do leitor certamente foi conduzida ao episódio de Paraisópolis, em dezembro passado, quando numa destas festas houve um tumulto com a participação da Polícia Militar e que levou ao triste saldo de nove jovens mortos por pisoteamento, dois deles moradores de Mogi das Cruzes. O fato, com este grau de gravidade, é isolado. Porém, o registro de pessoas feridas em brigas entre os jovens, incentivados pelos efeitos das bebidas e das drogas, é frequente. Com base nisto, as autoridades em Mogi realizam um trabalho contínuo de fiscalização nos locais conhecidos, que reduziu bastante a incidência dos problemas.
Não se pode negar o sentido de liberdade e igualdade que as festas dá aos jovens, carentes de opções de entretenimento a baixo custo. Para muitos, o pancadão é a única alternativa acessível de socialização, de universo onde a linguagem comum não traz o ranço da discriminação e preconceito, por isso ele é tão atraente aos jovens. O nó da questão é encontrar o meio termo que não tire a liberdade dos frequentadores, mas que tenha, ao mesmo tempo, tranquilidade e paz para moradores e pais. E que também seja avaliado como ambiente seguro pela polícia.
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