Editorial
Publicada em 23/01/2020 - 00h35min

Dirceu Sousa

Caminho inverso

O Ministério da Educação no governo Bolsonaro é o que se pode definir como um exemplo clássico de contradição conceitual de modernidade. Como uma das áreas que mais se beneficia dos avanços tecnológicos, a Educação vive momentos de puro louvor, com trabalhos de pesquisadores brasileiros reconhecidos mundialmente e com a construção de um novo paradigma no que diz respeito ao ensino a distância, por exemplo. A visão abrangente da ciência no país, contextualizada em cenários pouco favoráveis, se sobrepõe pela conquista de resultados, da mesma forma que a capacidade intelectual aliada à tendência visionária de educadores/pensadores está levando o Brasil a um patamar mais elevado na transmissão de conhecimentos.
No outro extremo, a Educação, pelo aspecto pessoal de seus comandantes, não acompanha essa perspectiva positiva, além de atribuir aos recursos tecnológicos a responsabilidade dos próprios erros e da falta de coerência no discurso. Começou com o primeiro escolhido para ocupar o Ministério da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, que teve uma passagem meteórica de três meses pelo cargo, deixando poucas saudades e muitas ações equivocadas, a principal delas a de cortar investimentos para a pesquisa.
Para o seu lugar, foi escolhido o economista Abraham Weintraub, figura política afinada com o pensamento bolsonarista e que chegou ao posto mais com a intenção de acalmar ânimos do que com a proposta de manter o ministério nos trilhos. Nesta semana, após a constatação de erros na divulgação das notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), o ministro teve de justificar, sem sucesso, o fato. Anunciando a imediata reparação das falhas, Weintraub atribuiu o problema a equívocos da gráfica contratada para imprimir as provas. Não convenceu.
Enquanto a Educação sobrevive a duras penas para manter o avanço conquistado nas últimas décadas, fruto de um trabalho metódico e sequencial, cuja continuidade é fundamental para se alcançar as metas desejadas, o discurso e a postura pouco efetivos de seus comandantes funcionam somente como marcha à ré, levando-a ao retrocesso.
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