Editorial
Publicada em 30/01/2020 - 02h46min

O ciclo do emprego

A geração de empregos é uma das pontas do emaranhado econômico no país que mais tem incomodado os especialistas. Órgãos específicos, como o Cadastro de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério da Economia, realizam levantamentos mensais com a proposta de mapear a abertura e encerramento de vagas de emprego nas cidades. Na publicação da semana passada, que fechou o balanço de 2019, há contrastes gritantes nos dados registrados em Mogi das Cruzes e Suzano, por exemplo.
Enquanto o primeiro município contabilizou um saldo negativo de 1.525 empregos perdidos no período, o segundo, no sentido inverso, fechou o ciclo com a geração de 4.917 postos. Tecnicamente e de forma objetiva, é possível concluir sobre esses números que uma cidade caminha para uma situação ainda mais delicada de desemprego e a outra, ao contrário, pode se animar com o avanço da economia doméstica e oferta de trabalho aos seus moradores. Mas não é tão simples assim. Existem diversos fatores que podem influenciar nos números finais.
Lembrando que o levantamento do Caged se restringe às ocorrências do emprego formal, aquele com carteira assinada, o universo do trabalho paralelo fica sem registro. A forte tendência de crescimento das atividades informais amplia a distorção analítica do estudo científico e pontual do órgão federal. Isso não significa que ele não tem sua importância, mas jamais deve ser interpretado isoladamente. Uma explicação razoável é a de um êxodo de trabalhadores dos setores tradicionais, como comércio e indústria, para o investimento na carreira solo, característico da prestação de serviços.
O crescimento deste filão também pode ser compreendido por meio do avanço do empreendedorismo, viés que a cada dia se torna mais evidente na economia brasileira. Neste grupo, por exemplo, entrariam os motoristas por aplicativo e os microempresários ligados à tecnologia, campos de fomento econômico visivelmente em alta no país. Como se pode perceber, as pesquisas quantitativas têm a sua importância comprovada, mas a compreensão da realidade requer uma visão mais ampla.
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