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Publicada em 04/02/2020 - 00h18min

Afonso Pola

Coronavírus

Detectado inicialmente na China, um novo vírus que matou ao menos 80 pessoas até este domingo se tornou uma preocupação global. O surto do coronavírus é uma questão de saúde tão séria que a Organização Mundial de Saúde (OMS) já declarou situação de emergência no país asiático, embora ainda descarte considerar o vírus uma situação crítica global, pelo menos por enquanto.
São quase 2 mil casos registrados da doença em 13 países de quatro continentes (Ásia, Oceania, Europa e América) e os especialistas falam em uma provável subnotificação da doença, e que o número real pode superar a casa dos 6 mil casos. Por aqui, o Ministério da Saúde tornou público que o número de casos suspeitos notificados chega a 33, sendo que 20 foram excluídos após os primeiros exames.
O que mais preocupa no momento é saber se estamos preparados para enfrentar uma epidemia como essa. A forma como foram enfrentadas tragédias como as manchas de óleo na costa brasileira e as queimadas na floresta amazônica não nos tranquiliza.
Para além da questão de saúde pública que envolve o vírus, outra preocupação faz parte desse cenário. Economistas hesitam em falar em número nesse estágio inicial. Alguns se arriscam a prever que, no caso da China, esse impacto pode reduzir o crescimento do PIB em mais de 2%. Principalmente pelo fato das áreas com os maiores números de notificações serem responsáveis por mais da metade da arrecadação.
Medidas adotadas pelo governo chinês restringindo viagens internas e externas para milhões de pessoas deve impactar negativamente a indústria do turismo em todo o mundo. O impacto nesse segmento é claro, mas ainda não é mensurável. Tudo que acontece na China tem um impacto porque é o segundo maior importador do mundo. Os efeitos serão sentidos nas commodities como petróleo, soja, proteínas e minério. Nesse caso, deve significar a redução das nossas vendas para aquele país que é, na atualidade, o nosso maior parceiro comercial.
Parece que os ventos, sejam eles internos ou externos, não sopram a nosso favor.
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