Editorial
Publicada em 18/02/2020 - 00h44min

Trabalho informal

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (Pnad-C), relatório produzido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre a situação do desemprego no país, com base no último trimestre de 2019, traz um dado alarmante: uma em cada quatro pessoas que estão à procura de trabalho formal vive esse drama há, no mínimo, dois anos. O estudo divulgado na semana passada revela que são hoje 12,6 milhões de desempregados no país.
Em contrapartida, a pesquisa mostra também que o nível de desemprego caiu em 16 estados brasileiros, incluindo São Paulo. Na prática, mais uma vez, os dados contrastantes do estudo indicam que existe no país um êxodo do trabalhador para as atividades informais. No mesmo compasso em que as oportunidades de trabalho formal, aquelas com carteira assinada, estão em queda, a ocupação das pessoas se direciona a trabalhos sem um registro efetivo, principalmente na área da prestação de serviços. Com isso, a composição do mercado de trabalho ganhou um novo desenho.
No levantamento do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), por exemplo, Mogi das Cruzes teve, ao longo do ano passado, o fechamento de 1.525 vagas de emprego formais. Esse movimento negativo comprova a tendência das empresas regulares em reduzir o quadro de funcionários e concentrar um número maior de tarefas naqueles que permanecem em atividade. Assim, a cada dia, os empregados precisam se responsabilizar por mais funções, trabalhar um tempo maior e, na maioria das situações, não ter nenhum acréscimo nos salários. O quadro é favorável a gerar problemas de saúde, estresse e insatisfação.
Uma vez fora do emprego tradicional e com as dificuldades de encontrar uma nova colocação, as pessoas precisam buscar alternativas para sobreviver. Como boa parte não tem condições de empreender, seja por falta de recursos financeiros ou pela incompatibilidade do perfil, o caminho mais curto é a informalidade. O problema é o que se perde neste atalho. O trabalhador pode até ter o faturamento garantido, mas se distancia diariamente da estabilidade e da aposentadoria.
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