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Publicada em 25/03/2020 - 00h16min

Estadão Conteúdo
Repercussão

Bolsonaro contraria a OMS e critica fechamento do comércio

Presidente fala em "histeria" e discorda das ações de isolamento adotadas por governadores e prefeitos no país

Foto: Isac Nóbrega/PR/Agência Brasil

Presidente Jair Bolsonaro durante o pronunciamento de ontem em rede nacional
Contrariando todas as orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS) a respeito do isolamento social como melhor forma para reduzir os impactos da pandemia de coronavírus no país, o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), fez um pronunciamento ontem à noite, em rede nacional, minimizando os efeitos da Covid-19. Mais uma vez, o presidente classificou a doença como uma "gripezinha", que vai passar.
Ele também fez duras críticas à imprensa, a quem atribui a responsabilidade de espalhar o pânico em torno do vírus, e as governadores e prefeitos pela decisão de fechar escolas e comércio, eliminando os locais de concentração de pessoas. Bolsonaro procurou passar tranquilidade à população resumindo que "o vírus chegou, está sendo enfrentado por nós e brevemente passará". Ele ainda cobrou que a nação volte o mais rápido possível à normalidade.
O discurso foi duramente criticado pelas lideranças do Senado e da Câmara dos Deputados. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), afirmou que o pronunciamento do presidente foi grave e cobrou uma liderança "séria, responsável e comprometida com a vida e a saúde da sua população". Ele se pronunciou em nota divulgada pela assessoria de imprensa.
"Neste momento grave, o país precisa de uma liderança séria, responsável e comprometida com a vida e a saúde da sua população. Consideramos grave a posição externada pelo presidente da República hoje, em cadeia nacional, de ataque às medidas de contenção ao Covid-19. Posição que está na contramão das ações adotadas em outros países e sugeridas pela própria Organização Mundial da Saúde (OMS)", afirmou.
No mesmo tom, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), considerou "equivocado" o pronunciamento de Bolsonaro. Maia criticou o fato do presidente usar a estrutura da transmissão para atacar a imprensa, governadores de Estado e especialistas em saúde pública.
"Desde o início desta crise venho pedindo sensatez, equilíbrio e união. O pronunciamento do presidente foi equivocado ao atacar a imprensa, os governadores e especialistas em saúde pública", escreveu o presidente da Câmara em uma rede social.
Maia reafirmou o compromisso de que o Congresso Nacional vote ações para conter a pandemia e auxiliar empresários e trabalhadores na crise econômica. "Precisamos de paz para vencer este desafio", pediu o deputado.
Ele também disse que, em respeito a idosos e pessoas em grupo de risco, os brasileiros devem seguir determinações do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde.
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