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Publicada em 25/03/2020 - 23h41min

Estadão Conteúdo
Crise política

Doria e Bolsonaro batem boca após declarações do presidente

Divergências ocorreram durante teleconferência na manhã de ontem, depois de críticas ao isolamento social

Foto: Governo do Estado de São Paulo

Governador João Doria realizou teleconferência com dirigentes de outros Estados
O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), reforçou críticas ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na tarde de ontem e anunciou uma teleconferência entre os 27 governadores de Estados e do Distrito Federal para debater ações de enfrentamento ao coronavírus. O encontro aconteceu após o pronunciamento em cadeia nacional feito pelo presidente na noite de terça-feira, no qual ele minimizou a doença e atacou o isolamento social como forma de enfrentar o coronavírus.
Doria disse que não deixará "à própria sorte" os cerca de 6 milhões de idosos que vivem no Estado de São Paulo e são a população de maior risco de morte pela Covid-19. "Apenas fiz um registro como brasileiro, cidadão e governador eleito no Estado de São Paulo. Não é uma gripezinha, não é um resfriadozinho. É um assunto sério, difícil, e a maior crise de saúde na história do país", disse.
Doria deu uma entrevista coletiva após teleconferência entre ele, Bolsonaro e os demais governadores do Sudeste em que houve bate-boca entre os dois. Bolsonaro reclamou que Doria teria se apoderado do nome dele nas eleições de 2018 e depois "virou as costas" como fez todo mundo. "Se você não atrapalhar, o Brasil vai decolar e conseguir sair da crise. Saia do palanque", disse Bolsonaro a João Doria.
Questionado sobre a possibilidade de impeachment do presidente, Doria disse que "essa é uma decisão do Congresso" e da população. Citando pesquisa de opinião do instituto Datafolha divulgada neste fim de semana, sobre avaliação do presidente, Doria disse que "o presidente mais atrapalha do que ajuda".
Doria reconheceu ter iniciado a reunião com Bolsonaro, ocorrida por teleconferência, com críticas à fala do presidente. Afirmou que era preciso manifestar seu "descontentamento" com as ações. Mas afirmou que Bolsonaro politizou a questão. "Não politize isso, presidente", afirmou.
O governador levou um recado escrito previamente à coletiva. "Presidente, vamos refletir juntos. Não pode existir fronteira entre a solidariedade e o amor ao próximo. Irmã Dulce nos ensinou que as pessoas que espalham o amor não têm tempo nem disposição para jogar pedras", disse Doria, para emendar: "Lidere seu país."
Os embates entre Bolsonaro e os governadores são bem anteriores à crise do avanço do coronavírus, mas subiram de tom depois do aumento de casos da doença.
No último sábado, o presidente da República chegou a chamar o governador paulista de "lunático" e disse que Doria fazia "uso político" da crise para atacar o presidente.
O presidente vinha criticando as decisões dos Estados de fechar escolas, proibir aglomerações e decretar quarentena - ações para retardar o avanço do vírus. Bolsonaro já fez uso de termos como "histeria" para descrever essas ações e "gripezinha" para se referir à doença, que já matou 57 pessoas no Brasil e outras 49 mil em todo o mundo.
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