Cidades
Publicada em 25/03/2020 - 00h11min

Thamires Marcelino*
Isolamento social

Quarentena pode agravar crise psicológica

O medo diante do desconhecido provocado por uma doença que nem mesmo os especialistas conseguem dimensionar os danos causados de forma exata, faz com que o coração dispare e o ar fique rarefeito na tentativa de filtrar o grande volume das informações desencontradas sobre a pandemia do coronavírus

O medo diante do desconhecido provocado por uma doença que nem mesmo os especialistas conseguem dimensionar os danos causados de forma exata, faz com que o coração dispare e o ar fique rarefeito na tentativa de filtrar o grande volume das informações desencontradas sobre a pandemia do coronavírus.
Quem já possui um histórico médico com problemas de transtornos relacionados à ansiedade e ao pânico, sabe que as síndromes podem piorar no período de quarentena. Outro diagnóstico que está se agravando pelo cumprimento das medidas de prevenção da Organização Mundial da Saúde (OMS) é o Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), já que todos os objetos de uso pessoal precisam ser constantemente esterilizados para evitar a propagação da Covid-19. A análise é da psicóloga e terapeuta familiar, Josineide Nascimento.
De acordo com a profissional, diversos pacientes já começaram a apresentar sintomas que indicam a ansiedade, o pânico e o TOC. "Neste momento, com a recomendação de evitar ao máximo o contato físico com outras pessoas, as terapias estão sendo feitas por meio de chamadas de vídeo. Eu já tenho pacientes com quadros provocados pelo isolamento social", disse.
Apesar de ser uma fase difícil, ficar em casa durante duas semanas seguidas, longe das pessoas, pode se tornar uma tarefa menos traumática. A psicóloga explica que é preciso evitar os pensamentos negativos sobre o futuro, isto é, priorizar os acontecimentos atuais. "Ficar imaginando o que pode ou não acontecer daqui a alguns dias, semanas ou meses pode gerar um pico de ansiedade muito alto e, consequentemente, uma grave crise", alertou.
Diminuir a quantidade de informações consumidas ao longo do dia sobre a nova doença também é um fator primordial, assim como manter o distanciamento de redes sociais que abordam apenas o mesmo assunto. Isto não significa estar desinformado, apenas limitar a frequência de recebimentos das informações, para que as crises de ansiedade e pânico também sejam menos prováveis.
Por fim, explica Josineide, é preciso manter o costume de praticar exercícios físicos diariamente, mesmo estando em casa. "Para quem mora em prédios, as escadas podem servir como um auxílio para os exercícios, além das áreas de lazer, desde que estejam vazias", indicou a psicóloga. Outra opção que também mantém a mente saudável são as meditações e técnicas de respiração indicadas por profissionais especializados, como psicólogos, médicos e professores de yoga, por exemplo.
*Texto supervisionado pelo editor.
Compartilhe
Comentários
Comentar

Video

Mais vistos