Cidades
Publicada em 25/03/2020 - 00h11min

Falta de ar

Preço de respirador dificulta aquisição pelas prefeituras

Equipamento é utilizado quando a dificuldade de respirar ocorre; este é um dos sintomas do coronavírus

Foto: Getty Images/iStockphoto

Levantamento feito pelo Condemat apontou que há 825 aparelhos no Alto Tietê
Levantamento do Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat) aponta para a existência de 825 respiradores nos serviços de saúde públicos e privados nas cidades da região, mais Guarulhos. O aparelho é essencial para o tratamento dos pacientes contaminados pelo coronavírus (Covid-19) que apresentam quadro grave e conseguir mais equipamentos, seja por meio de compra ou locação, tem sido um entrave para as prefeituras.
Além da oferta praticamente escassa de novos respiradores, a demanda elevada refletiu nos preços. O equipamento, que custava em torno de
R$ 70 mil, é vendido agora por R$ 200 mil. Também quase não se acha o aparelho para locação.
A elevação de preços não se restringe apenas aos respiradores. As prefeituras enfrentam muitas dificuldades para a aquisição de outros equipamentos e insumos necessários no enfrentamento ao coronavírus, desde luvas e máscaras até álcool em gel. "A direção do Condemat está em contato com o Cosems (Conselho dos Secretários Municipais de Saúde do Estado de São Paulo), o qual está buscando meios legais para rebater isso e garantir a reposição aos municípios, com apoio do Ministério Público e Procon, e amparado pelo decreto estadual de calamidade pública", explicou a coordenadora da Câmara Técnica de Saúde do Condemat, Adriana Martins. "É lastimável que diante de uma pandemia como a que estamos enfrentando, seja necessário dispender esforços para coibir esse tipo de conduta quando todas as atenções deveriam estar no combate ao vírus", completou.
No caso dos respiradores, o levantamento feito no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) do Ministério da Saúde aponta que dos 825 aparelhos registrados, 719 estão uso. Não há informações sobre as condições dos demais equipamentos.
Do total de respiradores, a maior parte - 555 - está nos serviços públicos (estaduais e municipais) que funcionam nas cidades de Arujá, Ferraz de Vasconcelos, Guararema, Guarulhos, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Poá, Salesópolis, Santa Isabel e Suzano.
Os outros 270 respiradores estão em unidades privadas de Arujá, Guarulhos, Mogi das Cruzes e Suzano.
Com mais serviços de saúde, privados e públicos, as cidades de Guarulhos e Mogi das Cruzes são as que possuem maior número de respiradores, com 421 e 226 equipamentos registrados, respectivamente - 78,4% do total. A menor oferta está nas cidades de Poá (2) e Salesópolis (1).
O aparelho
O respirador é um equipamento essencial à sobrevida de pacientes que apresentam problemas de saúde mais graves, não necessariamente em patologias do sistema respiratório. Diante dessa situação nova, as autoridades de saúde estão trabalhando para a ampliação dos equipamentos com base na curva de crescimento esperada para a Covid-19 e no percentual de pacientes que deverão apresentar quadros mais graves. "Existe um esforço em ampliar o número de leitos de UTI e, consequentemente, também de respiradores para que a região esteja preparada para dar suporte aos pacientes", concluiu a coordenadora.
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