Opinião
Publicada em 21/03/2020 - 02h17min

O cerco se fecha

Cinco casos confirmados na região, até a tarde de ontem, foram o suficiente para desencadear novas medidas no combate ao coronavírus no Alto Tietê. Ações que poderiam ser tomadas mais adiante, dada a distância que a região ainda conseguia manter da nova doença, foram antecipadas e começam a ser aplicadas a partir de hoje, como o fechamento de shoppings e parques.
Longe da praia e com poucos locais para caminhar e socializar, os parques como o Max Feffer, em Suzano, e o Centenário, em Mogi das Cruzes, além dos centros de compras em Suzano, Mogi e Itaquá, são locais que, mais do que o comércio e a prática de exercício, são utilizados para conhecer pessoas, trocar experiências e fazer amigos, mas isso deverá ficar de lado por algum tempo.
Na segunda-feira, será a vez dos ônibus terem sua circulação restringida. A ação vai afetar os municípios que têm sistema próprio de transporte. A redução da quantidade de veículos nas ruas será gradual. As prefeituras não descartam, dependendo da evolução da doença, proibir a total circulação dos coletivos, porém essa decisão será tomada de acordo com o avanço da doença.
Por fim, na semana que vem, os bancos também vão reduzir o atendimento. A maioria das transações deverá ser realizada por meio da internet ou por aplicativo de celular.
Tais medidas assustam. Provavelmente desde a gripe espanhola, que assolou o mundo entre 1918 e 1920, vitimando cerca de 50 milhões de pessoas, não se via tamanha restrição de mobilidade. A grande diferença talvez esteja na quantidade de pessoas que existem hoje - são 7,7 bilhões de habitantes, contra 1,3 bilhão há cem anos -, e é claro na disseminação da informação. Hoje, a quantidade de dados e pesquisas sobre doenças é vasta, mesmo que ainda há pessoas que insistam em teorias conspiratórias. Mas, felizmente, esse é um grupo bem pequeno.
Fato é que tudo aquilo que víamos em filmes que têm como pano de fundo as doenças infectocontagiosas são agora a realidade do planeta. Não há dúvidas, o cerco está se fechando. Medidas radicais estão sendo tomadas e, ao menos por enquanto, o isolamento parece ser a melhor saída.
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