Opinião
Publicada em 24/03/2020 - 01h33min

Heródoto Barbeiro

Afinal, quem governa?

O debate está acirrado. Jornais e outras plataformas não dão sossego para o chefe do poder Executivo. Mais do que uma troca de ideias ou propostas de governo, o debate baixa o nível e vira caso pessoal. Inicia-se o chamado "bateu, levou". Tudo o que o país não precisa para poder se reerguer economicamente. O governo anterior foi um desastre e o assalto ao cofre público foi mais acirrado do que a capacidade da população pagar impostos.
Há uma mistura de política, economia, insatisfação sobre os rumos do pais, e até da vida familiar do mandatário. Uma camarilha de privilegiados, vinda do governo anterior, se apossa dos cargos públicos e ganha dinheiro com tráfico de influência, contrabando ou salários privilegiados. Até o sistema tributário é precário. Ser um funcionário do Estado é um sonho de boa parte da população.
Do debate nos jornais para pancadaria de rua foi um pulinho. Os apoiadores do chefe de governo são organizados e não deixavam por menos. As manifestações, geralmente, terminam em grossa pancadaria. Até onde isso pode ir ninguém sabe. Um grupo de deputados e senadores preparou e distribuiu um manifesto violento e que não deixa dúvidas: era preciso tirá-lo do cargo em nome da paz e da tranquilidade. As reações do mandatário se confundiam com bate boca em boteco abastecido com a cachaça da melhor qualidade.
A vida pessoal e familiar do monarca também era alvo de críticas e uma boa parte do que se divulgava era pura fake News. É verdade que grande parte da população é estranha ao mundo político, manobrado por grandes proprietários de terras, de escravos, comerciantes e funcionários do alto escalão. O país caminha rapidamente para uma guerra civil. A não ser que o imperador abdique o trono e volte para Portugal. D.Pedro I anuncia sua volta e passa o trono para o menino Pedro. Para uns, este episódio é a verdadeira independência política do Brasil, uma vez que, finalmente, foram cortados os laços coloniais que prendiam Brasil a metrópole. Contudo uma crise sucede a outra, quem vai governar em nome do garotinho?
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