Editorial
Publicada em 25/03/2020 - 00h58min

Corrida pela vacina

O que se viu na última segunda-feira, primeiro dia da campanha de vacinação contra a gripe no país inteiro, com a formação de longas filas de pessoas para a imunização, contrasta com os dados apresentados recentemente pelo Ministério da Saúde. O órgão federal apontou, em seus estudos preliminares sobre as coberturas realizadas no ano passado, que, após 25 anos do início dos registros estatísticos, nenhuma das 15 vacinas disponíveis no calendário nacional atingiu a meta de 95% de imunização dos grupos pretendidos.
Para se ter uma ideia, o sarampo era uma doença que estava erradicada no Brasil há mais de 20 anos, mas, a partir de 2011, quando os índices de cobertura vacinal foram diminuindo, o problema voltou. A cobertura da Tríplice Viral, que além do sarampo imuniza também contra rubéola e caxumba, vem caindo nos últimos anos, tendo ficado pouco acima dos 91% no ano passado. Outro exemplo é a Pentavalente, que previne contra a difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e a bactéria do Influenza tipo B, cujo índice de 2019 não chegou a 71% da meta.
Certamente motivadas pelo pânico geral provocado pela pandemia do coronavírus, muitas pessoas correram aos postos de saúde, inclusive desrespeitando as prioridades do início da campanha, que são as pessoas acima de 75 anos e profissionais da área da saúde, para buscar a imunização. Como resultado, os estoques do medicamento se esgotaram em poucas horas, deixando boa parte do público-alvo desguarnecida. Com exceção de Salesópolis, que não informou dados sobre a cobertura, todos os outros muncípios do Alto Tietê tiveram de suspender a vacinação por falta das doses. Uma nova remessa foi prometida pelo governo à região para amanhã ou sexta-feira.
É importante esclarecer que a vacina contra a gripe não traz imunização para o coronavírus e a intenção de dar prioridade aos idosos e profissionais da sáude é aumentar a imunidade dessas pessoas, grupos de risco da Covid-19. Infelizmente no Brasil, as ações de saúde têm efeito apenas quando estão associadas ao medo disseminado entre a população, pouco afeita, de uma maneira geral, às informações corretas vindas das autoridades.
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