Editorial
Publicada em 25/03/2020 - 23h40min

Quarentena de ideias

Algumas lideranças neste país deveriam aproveitar a quarentena decretada em boa parte do território nacional para fazer uma reflexão e aproveitar a reclusão de boca fechada. Ao contrário de representantes que se esforçam para conscientizar a população no sentido de ampliar o isolamento social como melhor fórmula de barrar o avanço do coronavírus, outros se fartam de asneiras para convencer a população de que a realidade está distorcida e que a pandemia não passa de fruto de um imaginário fértil.
O primeiro da lista, não há dúvida, é o próprio mandatário da nação. Na noite de segunda-feira, em rede nacional, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) contrariou todas as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) ao questionar a validade do fechamento das escolas e do comércio em geral, criticando de forma direta os governos e municípios que decretaram quarentena. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, respondeu ontem ao presidente brasileiro esclarecendo que "em muitos países, as UTIs estão lotadas e essa é uma doença muito séria". Ninguém melhor do que ele, neste momento, para fazer uma avaliação correta do que está ocorrendo no mundo inteiro.
Em São Paulo, o governador João Doria (PSDB), dirigente do Estado onde há o maior número de vítimas da doença, 48 até ontem, está empenhado em usar todas as formas possíveis para bloquear a disseminação do coronavírus. Com posicionamento coerente, o secretário de Estado da Saúde, José Henrique Germann Ferreira, e o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), acompanham o governador na tomada de decisões, o que dá, ao menos, unidade e diretriz conjunta para as ações.
Na região, o prefeito de Mogi das Cruzes, Marcus Melo (PSDB), que também responde pela presidência do Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat), tem feito lives diárias para orientar a população das cidades. Na mesma linha, o secretário municipal de Saúde, Henrique Naufel, é veemente ao pedir que as pessoas fiquem em casa. O discurso de todos é único.
O melhor neste momento é que aqueles que não têm algo a dizer que acrescente na proposta de isolamento social prefiram não dizer nada. O que já seria muito útil.
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