Cidades
Publicada em 04/07/2020 - 19h48min

Nicolas Takada*
durante a pandemia

Empresas mudam produtos para se adaptar ao momento

Para driblar a crise econômica, companhias tiveram de usar a criatividade a fim de garantir renda e sobrevivência

Em tempos de pandemia do coronavírus, as mudanças no mundo dos negócios acabaram se transformando em peças fundamentais para a sobrevivência diante da crise econômica. No Alto Tietê, isso não foi diferente. Empresas de diversos setores tiveram de se adaptar ao mercado para manter o faturamento, promovendo descontos nas vendas, adotando home office para parte dos funcionários, entrando na área de comércio on-line, incentivando o sistema delivery e até alterando a linha de produção para driblar as restrições comerciais. Estima-se que, mesmo assim, já foram fechados quase 10 mil postos de emprego no Alto Tietê, só em Mogi das Cruzes foram 4 mil.
No planejamento anual, nenhum empreendimento previa a crise que a pandemia iria provocar, no entanto, a partir de uma necessidade de venda, muitas propostas criativas surgiram para superar o momento e agregar alternativas futuras para as empresas. Duas unidades em Mogi passaram por situações semelhantes: a mudança do produto final.
A diretora comercial da empresa Hi Tech, fabricante de aditivos para veículos, Viviane Fragata, contou que a empresa passou dos fluídos automotivos para a produção de álcool em gel em menos de um mês. "No primeiro momento, nós tínhamos uma fórmula de álcool em gel que era distribuído internamente na empresa, mas nada para ser comercializado. Quando começou a pandemia, realizamos uma preparação de 20 dias e começamos a distribuir e vender", recordou.
A única dificuldade encontrada pela empresa foi na finalização do produto, já que não possuía uma linha de envase para começar a distribuição do álcool. Agora, a mercadoria vai seguir na linha de produção junto com os outros artigos que continuam sendo feitos. "A nossa ideia é seguir com o produto, para que as pessoas ou empresas continuem utilizando o item, que é muito importante na higiene. Por isso, a nossa proposta nunca foi só em vender, mas de contribuir com as necessidades atuais", disse Viviane.
Já na empresa Maria Coura, especializada em brindes e decorações de couro, a adaptação do produto também aconteceu, mas de uma forma extrema, já que 100% da produção foi revertida à confecção de máscaras e aventais.
De acordo com a diretora Maria Helena Coura, a iniciativa surgiu por uma necessidade de se manter, já que os produtos na linha de brindes não estavam tendo demanda. "Os clientes nos procuraram e perguntaram se estávamos fabricando máscaras. Na época, nem tínhamos pensado nisso, mas depois que a situação foi apertando, decidimos fazer", contou.
Mas, para isso acontecer, Maria Helena explicou que a equipe precisou fazer vários levantamentos sobre a área comercial e buscou conhecimento de matéria prima, para aprender todos os caminhos necessários para a venda. No entanto, após três meses trabalhando com o produto, a diretora apontou que não pretende continuar com a fabricação dos equipamentos e que deve retornar em breve com as antigas mercadorias.
Outro caso interessante aconteceu com a empresa GMP Marcatto, que fabrica diversas peças de usinagem. No caso dela, as linhas de produção não pararam, mas um item acabou ganhando destaque durante a pandemia: uma peça que permite a duplicação de uso dos respiradores mecânicos para pacientes com insuficiência respiratória causadas pelo coronavírus.
O produto nasceu a partir de uma visão da empresa em auxiliar o município de Mogi das Cruzes, onde está estabelecida, e outros hospitais da região. No primeiro momento, não houve custos adicionais além da matéria prima, pois, segundo o diretor industrial Ederson Oliveira, a proposta é de colaboração.
"Diante dessa pandemia que assola o mundo, nós entendemos que é necessário colaborar com o município, colocando todo nosso conhecimento e alta tecnologia em usinagem à disposição para dar suporte na estratégia de combate ao coronavírus", encerrou Oliveira.
*Texto supervisionado pelo editor.
  • Viviane ressalta que item é importante na higiene
  • Álcool em gel da Hi Tech será mantido no mercado
  • Na Hi Tech, linha de produção do álcool em gel foi adaptada em apenas 20 dias
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