Cidades
Publicada em 01/08/2020 - 00h24min

Felipe Antonelli
Enquete no site da Prefeitura

Pesquisa da volta às aulas será encaminhada ao Conselho Tutelar

Conselho Municipal também vai participar da decisão; maioria dos pais não quer retorno presencial em 2020

A Consulta Pública que estuda a possibilidade de retorno das aulas presenciais na rede de Educação Municipal ainda neste ano é o primeiro passo para a definição do tema em Mogi das Cruzes. A pesquisa online, que continua à disposição para a participação da população, será apresentada ao Conselho Municipal de Educação e ao Conselho Tutelar, para que haja consenso para a retomada das aulas.
Os interessados podem votar até as 8h30 desta segunda-feira no site da Prefeitura de Mogi das Cruzes, pelo link http://www.se-pmmc.com.br/sge3/ctrl_pesq/. As aulas na rede municipal estão suspensas desde o final de abril, devido ao avanço do coronavírus em Mogi das Cruzes (são mais de 4 mil casos e 243 óbitos).
Segundo a secretária municipal de Educação, Juliana Guedes, a pesquisa realizada no site da Prefeitura será fundamental para a tomada de decisão em relação ao retorno das aulas, considerando os pareceres de diversas esferas relacionadas à Educação e Saúde. 
O prefeito Marcus Melo (PSDB) disse que a opinião dos pais, responsáveis e outros agentes relacionados à Educação, devem ser respeitadas nas definições da administração municipal. "Vamos aguardar a consulta e fazer avaliações. A opinião dos responsáveis pelos alunos tem que ser levada em consideração para a tomada de decisão. O sentimento da população tem de ser respeitado", afirmou o prefeito.
Na Consulta Pública, iniciada na última terça-feira, duas perguntas muito semelhantes são feitas à população, sendo que 89% dos 26,5 mil participantes da enquete responderam que não são favoráveis à retomada das aulas presenciais em Mogi das Cruzes ainda em 2020. A mesma porcentagem respondeu a segunda pergunta, afirmando que não enviariam seus filhos para a escola. Apenas 11% apoiam o retorno das aulas neste ano, bem como enviariam seus filhos às aulas presenciais.
Tanto para o prefeito Marcus Melo quanto para a secretária Juliana Guedes, o resultado parcial da pesquisa não é uma surpresa, visto que a informação sobre o receio de pais e responsáveis em enviar seus filhos às escolas durante a pandemia já havia chegado ao Executivo. "O contato com as famílias já dava indícios desse resultado contrário à volta às aulas neste momento. A gente só não sabia em percentual, mas imaginávamos que mais da metade seria contra", disse a secretária Juliana.
Segundo a titular da Pasta municipal, o desenvolvimento das crianças de faixa etária atendidas pela rede municipal ocorre pelo contato, tanto entre os professores e os alunos, quanto entre as crianças e os objetos ao redor. Para ela, retornar neste momento em que o contato é limitado, pode não representar o aprendizado real dos alunos. "Não sei até que ponto enviar as crianças às escolas sem pensar no desenvolvimento delas garantiria o aprendizado. Talvez seja um risco maior que o necessário", opinou a secretária Juliana.
A rede municipal de ensino é responsável pelo atendimento de 47.392 alunos em 209 escolas, além de supervisionar as escolas particulares de Educação Infantil. A retomada não tem data prevista.
  • Marcus Melo: 'Opinião dos pais tem que ser levada em consideração para a tomada de decisão'
  • Levantamento ficará pronto em dez dias e ajudará os prefeitos na decisão

Condemat também mostra cautela

A Consulta Pública que estuda a possibilidade de retorno das aulas presenciais na rede de Educação Municipal ainda neste ano é o primeiro passo para a definição do tema em Mogi das Cruzes

A volta às aulas presenciais nas redes municipais de Educação foi discutida pelos prefeitos do Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat), em reunião de ontem. O calendário estadual prevê a retomada das atividades escolares a partir de 8 de setembro - desde que todas as regiões estejam na fase amarela -, mas a maioria das prefeituras locais considera a data prematura e pode retardar as aulas presenciais.
Para melhor respaldar as decisões finais, os prefeitos irão acatar a recomendação da Câmara Técnica de Educação do Condemat. "Vivemos uma situação atípica e o compartilhamento de responsabilidades se faz necessário não só pelo aspecto da democracia, mas para apoiar o preparo da rede no possível retorno. A educação municipal apresenta características diferentes da estadual porque o seu maior público é o infantil, que inspira mais cuidados", argumenta o presidente do consórcio, o prefeito Adriano Leite. "O Alto Tietê está na fase amarela há três semanas e, embora o número de casos de coronavírus continue crescendo, a região reduziu os indicadores de óbitos e internações. Ainda assim, há uma grande preocupação com o possível impacto do retorno das aulas e, por isso, todo o cuidado nas decisões que serão tomadas. Vamos considerar as opiniões dos profissionais da Educação, dos pais e, principalmente, das equipes de saúde", esclarece o presidente.
A rede municipal de ensino no Alto Tietê tem aproximadamente 280 mil alunos matriculados e 20 mil profissionais da educação, sem contar terceirizados.
Compartilhe
Comentários
Comentar

Mais vistos