Brasil e mundo
Publicada em 09/01/2021 - 03h28min

Estadão Conteúdo
Covid-19

Com infecções em alta, Brasil ultrapassa os 200 mil mortos

População abandonou os cuidados em meio à circulação das novas variantes do vírus e indefinição de vacinas

O Brasil superou na última quinta-feira a marca de 200 mil mortos pela Covid-19, quando muitos já temem que possa ser o pior momento da pandemia no País. A curva de casos e mortes voltou a ser ascendente. Ao mesmo tempo em que parte da população abandonou os cuidados e se aglomerou nas festas de fim de ano, novas variantes do vírus circulam e ainda não há clareza de quando começa a vacinação.
Em quase dez meses desde que ocorreu a primeira morte pela doença, o País perdeu o equivalente às populações de Araçatuba (SP) ou de Angra dos Reis (RJ). Até ontem, foram 200.163 mortes, conforme levantamento do consórcio de imprensa.
E o cenário projetado para as próximas semanas é sombrio, segundo especialistas. Quando o País atingiu 100 mil mortos, em agosto, a média móvel de vítimas indicava lentamente um início de queda e parecia que a situação começaria a melhorar. Mas ao contrário da Europa, que teve claramente uma primeira e uma segunda onda, no Brasil o número de novas infecções e óbitos nunca arrefeceu.
A média móvel de mortes baixou da casa de mil, em meados de agosto, para pouco mais de 300 na primeira dezena de novembro, mas logo depois voltou a subir. O epidemiologista Paulo Lotufo, da USP, compara como se fosse um avião arremetendo ao tentar pousar.
"Parecia que estávamos em declínio, mas não chegamos a zerar. Tivemos o impacto das eleições municipais. Os números de internações estavam subindo, mas ninguém queria adotar medidas mais restritivas e impopulares. Aí veio o fim de ano. Não está todo mundo agindo como vimos nas fotos de praias e festas, mas aumentou o desrespeito", alerta.
Para Deisy Ventura, professora de Ética da Faculdade de Saúde Pública da USP, a posição do governo federal, que deixou a pandemia correr solta no País, agora parece ter um contrapeso menor dos governos locais e de parte da população.

Mutação pode afetar a proteção das vacinas

Uma nova variante do Sars-CoV-2 identificada no Brasil apresenta alterações capazes de ajudar o vírus a escapar parcialmente à imunidade oferecida pelas vacinas usadas na prevenção da doença. Essa variante também foi identificada na África do Sul e é diferente da mutação registrada no Reino Unido
O estudo foi publicado on-line, na última terça-feira, em formato de pré-impressão (ou seja, ainda sem revisão dos pares), na BioRxiv. Tem como principal autor o microbiologista Jesse Bloom, da Universidade de Washington (EUA). O trabalho mostra que, em algumas pessoas, o novo coronavírus conseguia escapar dos anticorpos neutralizantes até dez vezes mais do que o normal.
Todas as vacinas desenvolvidas ao longo deste ano têm como alvo a chamada proteína spike. Essa é a estrutura usada pelo vírus para entrar nas células que ataca. Os imunizantes 'treinam' os anticorpos para atacar uma determinada região desta proteína, impedindo a invasão do organismo pelo SarsCov2.
As mutações na proteína spike, no entanto, podem ajudar o vírus a "enganar" as duas principais linhas de ação do sistema imunológico. Elas são os anticorpos, que impedem a invasão das células saudáveis, e as células T, que tentam destruir o vírus.
A variante detectada no Reino Unido se revelou mais contagiosa. Mas não tem impacto na eficácia das vacinas aplicadas. (E.C.)
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