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Limites da intolerância

Afonso Pola
06/10/2015 às 06:10
Atualizada em 06/10/2015 às 06:10.
O Brasil atravessa dias difíceis. São dias difíceis na economia, na política e nas relações sociais. Existe um clima de animosidade de grande intensidade e isso está repercutindo em ações de alto grau de insanidade e agressividade. E o mais grave é que parece que as pessoas não estão se dando conta disso.
Depois do final de uma eleição polarizada, muito se propalou a tese de que o Brasil havia saído daquela disputa muito dividido. Tal tese ecoou no discurso de diversos analistas políticos e muitos líderes partidários, bem como encontrou terreno fértil na grande maioria dos veículos de comunicação pelo País afora.
A crise econômica, que veio acompanhada de uma grave crise política, foi mais um elemento a intensificar esse acirramento. Até mesmo teses de cunho absolutamente autoritárias, adormecidas por décadas, foram despertadas e ganharam uma desavergonhada visibilidade.
Como resultado de todo esse processo estamos colhendo seus amargos frutos. A intolerância manifestada por alguns segmentos sociais, contra os diferentes, tem atingido níveis repugnantes. E o pior é que são ações exibidas com orgulho.
A sociedade assiste com enervante passividade a hostilização agressiva de pessoas públicas como foi o caso do ex-ministro Mantega. Um dos líderes do MST (João Pedro Stédile) também foi recebido com uma manifestação ofensiva ao desembarcar no aeroporto de Fortaleza. As manifestações, de qualquer natureza, devem ser livres e esse é um princípio importante da democracia, desde que elas não ultrapassem os limites de civilidade.
Mas, o ocorrido ontem em Belo Horizonte ultrapassou os limites. Enquanto a família velava o corpo do José Eduardo Dutra, ex-presidente do PT, que morreu vitimado por um câncer, algumas pessoas realizavam um protesto fazendo inclusive referência ao morto. Um panfleto jogado de um carro trazia os dizeres "petista bom é petista morto". Aliás, por coincidência ou não, os mesmos dizeres de uma pesquisa publicada por um jornal de circulação nacional sobre o percentual da população que acredita que "bandido bom é bandido morto".
Na verdade, esse protesto no velório do José Eduardo Dutra escancara a falência moral do País. E o mais impressionante é que a maior parte da imprensa se limita apenas a informar o ocorrido, sem externar nenhuma indignação. Depois, todos se recolhem aos seus templos religiosos para professarem sua fé.
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