Biritiba

Liminar da Justiça afasta mais uma vez Jarbas da prefeitura

Na avaliação do Ministério Público, prefeito teria superfaturado contrato na área da Saúde em R$ 5,7 milhões

Nayara Francesco*
12/09/2018 às 23:02
Atualizada em 12/09/2018 às 23:02.
Reprodução

Jarbas teria entregado dinheiro a três vereadores para não ser afastado pela câmara - FOTO: Reprodução

O prefeito de Biritiba Mirim, Jarbas Ezequiel (PV), o professor Jarbas, foi afastado de todas as funções do cargo pelo juiz Bruno Machado Miano, da Vara da Fazenda Pública de Mogi das Cruzes. Desta vez, o afastamento ocorreu por improbidade administrativa após avaliação do Ministério Público (MP), por meio de uma liminar. Com essa decisão, o vice-prefeito, Walter Tijiri, passa a comandar o município enquanto o verde estiver longe de prefeitura. Este é o terceiro afastamento sofrido por Jarbas.
De acordo com apuração feita MP, a contratação de uma empresa para a gestão do Pronto Atendimento de saúde do município foi superfaturada em mais de
R$ 5 milhões. O valor inicial para a contratação era de aproximadamente de
R$ 5,5 milhões, e o novo contrato passou a ser de
R$ 10,7 milhões.
Segundo testemunhas ouvidas pelo MP, além do contrato ter sido superfaturado, houve, ainda, a piora no serviço prestado à população. A entidade prosseguiu no documento dizendo que "há grave envolvimento e comprometimento do prefeito Jarbas com o crime organizado".
Entrega de dinheiro
A situação do prefeito na denúncia oferecida à Justiça parece ter se agravado quando, segundo o MP, ele teria sido visto entregando maços de dinheiro para três parlamentares do município. Na visão da promotorias, as imagens "revelam, cristalinamente, o suborno por ele praticado, ao pagar quantia para três vereadores de Biritiba Mirim, a fim de que não fosse afastado, justamente pela Comissão Especial de Investigação (CEI) que acusa as irregularidades dos gastos na saúde". O MP ainda afirmou que "quem determinou as instalações das câmera de segurança no local, foi o próprio prefeito".
Vale lembrar que os três vereadores afastados, Eduardo Melo (DEM), José Rodrigues Lares, o "Zé do Brejo" (PV), e Paulo Rogério dos Santos, o "Paulinho da Júlio" (PTB), que teriam recebido dinheiro das mãos do prefeito, voltaram aos cargos ontem, após decisão do Tribunal de Justiça. A câmara foi notificada da decisão também na tarde desta quarta-feira. Os suplentes dos legisladores já deixaram a Casa de Leis de Biritiba.
O que diz a prefeitura
Em nota, a prefeitura se posicionou dizendo que Jarbas não foi notificado de qualquer decisão pelo poder Judiciário acerca do seu afastamento. O Executivo ainda esclareceu ainda que, o processo tramita em segredo de Justiça e "serão adotadas as providências cabíveis para pleitear a apuração da responsabilidade em razão do vazamento das informações do feito, veiculados pela imprensa oficial".
*Texto supervisionado pelo editor.
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