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Precarizado não é empreendedor

Afonso Pola
14/01/2020 às 06:10
Atualizada em 14/01/2020 às 06:10.
Na edição deste domingo, o Fantástico, da Globo, exibiu uma reportagem sobre o uso de aplicativos e redes sociais por pessoas desempregadas como forma de obtenção de renda. Nela, o trabalhador informal é tratado como "empreendedor", o que gerou uma enorme quantidade de críticas nas redes sociais.
Sabemos que existe um esforço muito grande de determinados setores sociais para inflar o otimismo das pessoas em relação ao desempenho da economia brasileira. Mas creio que, quando se exagera na dose, o resultado pode ser a desconfiança.
Boa parte da base conceitual para a compreensão do empreendedorismo está no livro "Capitalismo, Socialismo e Democracia", do economista americano de ascendência austríaca Joseph Schumpeter. O economista austríaco usou a palavra "empreendedor" para denominar o indivíduo que promove o que ele chamava de "destruição criativa".
Pois bem. Onde estão os rastros desses conceitos naqueles que não conseguem se recolocar no mercado de trabalho em áreas de sua formação e passam a conduzir um veículo de aplicativo? Passa de um milhão e meio o número de motoristas de aplicativos que se cadastraram como microempreendedor individual (MEI) o que indica que número total dever ser bem maior do que esse. Uma parte desse universo é composta por aqueles que conduzem seu próprio veículo. Mas é muito provável que a maioria dirija um carro alugado e, portanto, trabalha mais e ganha menos.
Além dos motoristas de aplicativos, temos também aqueles que são entregadores de iFood. Eles usam motos, bicicletas, patinetes etc. São subempregados que ganham pouco, não vão se aposentar e não possuem diversos outros direitos. Eles fazem parte dos 41% da população ocupada do país que atua no mercado informal.
Definitivamente, isso não é empreendedorismo. É justamente por isso que o programa da Globo foi acusado pelos internautas de promover a chamada "glamourização" do trabalho precarizado.
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