No papel de vidraça

Em apenas 12 dias à frente da Prefeitura de Mogi das Cruzes, Caio Cunha (Pode) já sentiu o gosto amargo que pode ter o posto de chefe-mor da cidade. Depois de oito anos como vereador de oposição, atuando como estilingue em relação à administração municipal, agora é a vez de fazer o papel da vidraça, ficando exposto às mais diversas formas de críticas e cobranças.
O episódio envolvendo o secretário-adjunto de Esporte e Lazer, Reinaldo Barreiros, indicado para o cargo há uma semana, é o melhor exemplo da inversão de posições enfrentada por Cunha. Até o ano passado, certamente, ele seria um ferrenho defensor da demissão sumária do adjunto, clamando por transparência e idônea seleção dos imediatos do governo. Como prefeito responsável pela escolha de Barreiros, precisou de muito esforço para justificar sua indicação, numa tentativa de sustentar os critérios técnicos usados para a aprovação de secretários. Mas aceitou a crítica de não ter consultado as redes sociais para conhecer melhor o perfil do adjunto.
Justamente na praia dominada por Cunha, as mídias sociais, é que a cilada de Barreiros estava escondida. Ele postou, há algum tempo, várias mensagens de teor antidemocrático, apoiando ações da extrema direita em favor dos governos militares e execrando a esquerda política nacional. Por mais que o prefeito tenha defendido o "amadurecimento" de ideias de seu pupilo, o estrago já estava feito.
A saída de Barreiros da Prefeitura dá um certo fôlego para Cunha, mas deixa a marca da fragilidade das instituições e até do processo de escolha de auxiliares. O sistema de seleção baseado em conceitos científicos e técnicos, defendido pelo governo Cunha, ainda é o melhor caminho, mas não está isento de surpresas desagradáveis, como no caso de Barreiros.
O prefeito de Mogi vivenciou num curto espaço de tempo o que são as nuances do poder Executivo, saindo da posição confortável de combatente parlamentar de oposição para o posto mais alto do município. Caio Cunha vai passar por vários testes e precisará de muita habilidade política para superar as adversidades que com certeza virão. Os próximos dias mostrarão se ele passou na prova com méritos ou se precisará de recuperação.

Deixe uma resposta

Comentários