Decisão difícil

Mais uma vez a região acorda com o pesadelo de retroceder à fase laranja do Plano São Paulo de retomada consciente dos setores da economia diante da pandemia do coronavírus. Hoje, quando o governador do Estado, João Doria (PSDB), anunciar nova atualização a respeito das restrições impostas pela quarentena, tudo indica que o Alto Tietê, agora agrupado como Região Metropolitana, onde se incluem a capital e o Grande ABC, será recolocado em etapa mais restritiva. Durante a semana, Doria deu pistas do retrocesso, alertando sobre os elevados índices de ocupação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para Covid na região, que têm oscilado na casa dos 70%, limite estabelecido para a mudança de fase.
Preocupados com essa perigosa possibilidade, os representantes da classe comercial se mobilizam incansavelmente para encontrar alternativas de subsistência financeira. A principal alegação da categoria, com plena justiça, é o risco das limitações de atividade, que poderão levar à nova onda de demissões de funcionários e de fechamento de empresas. A reação em cadeia, no caso de rebaixamento confirmado no Plano SP, leva ao reflexo de prejuízos para diversos setores da economia, o comercial entra no grupo dos mais críticos.
Pelo seu lado, o governo está de mãos atadas. Ao adotar os parâmetros para a classificação das regiões, ele deve, ao menos, respeitá-los. Assim, como os números de novos casos e de mortes em decorrência da doença estão na ascendente, é preciso cumprir as regras. Segundo os especialistas em infectologia, as medidas de isolamento deveriam ter sido tomadas há mais tempo, já que os índices altos levavam à esta conclusão. Justamente as aglomerações ocorridas nas festas de final de ano e o relaxamento de grupos mais jovens nas medidas de segurança é que alimentaram o aumento da contaminação.
A expectativa é grande. Ou o governo mantém o seu embasamento científico na sustentação do plano e ordene um passo atrás para as regiões em estado mais delicado, como o Alto Tietê, ou pode flexibilizar as próprias regras e protelar um pouco mais a adoção dos rigores previstos. Doria responde hoje a essa questão.

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