Esquenta a disputa

Pesquisa publicada no domingo pela Folha de S.Paulo mostra o tamanho da rejeição brasileira ao governo de Jair Bolsonaro (sem partido). Em março do ano passado, quando a pandemia do coronavírus estava começando no país, o presidente tinha 33% de rejeição entre os pesquisados, índice que subiu para 48% neste levantamento. O desempenho se deve, de acordo com as pessoas ouvidas, à participação ruim do governo na conduta das ações para barrar o aumento de casos e de mortes em decorrência da doença.

O levantamento do Datafolha tem, sem sombra de dúvidas, uma conotação política, alimentada pela disputa do presidente da República com o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), pelo protagonismo das ações. Desde o início há uma proposta em aflorar o antagonismo entre ambos, mirando a eleição presidencial de 2022. Para contrapor o aumento da rejeição de Bolsonaro, o Datafolha quis saber do público a reprovação dos governadores. Os índices também estão em crescimento - de 16% para 26% - mas, num ritmo menor. No confronto direto, os entrevistados disseram que Doria faz mais no combate ao coronavírus (46%) do que Bolsonaro (28%).

O mais interessante da pesquisa é a questão que avalia o desempenho do Ministério da Saúde a partir do comando dos três últimos titulares. Em março de 2020, com o ministro Luiz Henrique Mandetta, 55% dos entrevistados diziam que a atuação da Pasta era boa, contra 12% com opção pelo ruim. No final de abril, quando Nelson Teich era o ministro, os índices eram de 55% e 13% respectivamente. Já em maio, mês em que o atual ministro Eduardo Pazuello assumiu o cargo, as taxas apontavam 45% de favoráveis contra 21% de desfavoráveis. Neste último levantamento há praticamente um empate técnico, com 35% do público optando pelo bom e 30% pelo ruim.

Estes números refletem, ainda parcialmente, os efeitos de outra etapa da pandemia do coronavíruis: a da vacinação. A partir da maior cobertura da imunização com a chegada da vacina produzida pela AstraZeneca, apoiada pelo governo federal, que vai dividir espaço com a concorrente CoronaVac, patrocinada pelo Estado de São Paulo, os resultados podem variar bastante. Novos episódios nas próximas semanas devem esquentar o embate Bolsonaro e Doria.

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