Dinheiro perto ou longe?

Uma série de reformas tem sido discutida no Brasil, a qual se manifesta mais do que necessária e, pela sua profundidade, quero crer que o país careça mais de desconstrução e reconstrução do que, efetivamente, apenas de reformas. Isso vai ser difícil e demorado, pois há muitos interesses em jogo e tem sido impossível olhar para o bem da nação, deixando tais interesses em segundo plano.

Se enxergamos a profundidade dos problemas do Brasil, sabemos que para colocá-lo na direção do desenvolvimento, equilíbrio e justiça social, a transformação necessária em vários âmbitos e aspectos precisa ser, igualmente, profunda, o que demanda, em minha opinião e em primeira instância, uma reflexão sincera por parte de cada cidadão e a decorrente disposição de ouvir, dialogar em alto nível, ceder no que for necessário e agir.

Para fixar apenas num aspecto, neste momento, gostaria de abordar a necessidade de mudança na distribuição de recursos entre os governos federal, estadual e municipal. Lembro-me de que, fazendo parte de uma sociedade federativa há muitos anos, já defendia a ideia de concentrar o dinheiro arrecadado o mais perto possível daqueles que recebem os efeitos de sua aplicação. Defendo, portanto, o mesmo conceito aplicado à administração pública: destinar o máximo de recursos financeiros aos municípios e o mínimo necessário aos estados e união.

O dinheiro mais perto dos cidadãos permite que seja melhor aplicado e fiscalizado; assim, é certo que o resultado da aplicação seria muito melhor e evitaríamos o absurdo oneroso que acontece hoje, por exemplo, com prefeitos cruzando o Brasil para tentar convencer ministros e líderes diversos da União a destinar verbas para suas cidades viabilizarem inúmeros feitos, incluindo os mais acanhados, como pequenas obras de baixo valor. Isto, como se fosse a coisa mais natural do mundo! A pergunta que fica é: será que os grandes líderes da nação admitem tirar de si próprios o poder de destinar recursos?

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