Sabesp estuda retomar projeto de incineração de lixo em Mogi

Presidente da Sabesp defende uma solução para destinação do lixo; para ele, queima é a melhor alternativa
Presidente da Sabesp defende uma solução para destinação do lixo; para ele, queima é a melhor alternativa - FOTO: Erick Paiatto
Quatro anos após desistir de instalar uma usina de incineração de lixo em Mogi das Cruzes, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) sinalizou que pretende resgatar a ideia. O presidente da autarquia, Jerson Kelman, informou que a empresa estuda ampliar sua atuação no setor de destinação de lixo na Grande São Paulo. Em contato com a Sabesp, a companhia informou que o projeto ainda é embrionário.

Em 2011, as Prefeituras de Mogi, Guararema, Biritiba Mirim, Salesópolis e Arujá procuraram a Sabesp para que uma Central de Tratamento de Resíduos fosse instalada em Mogi. Na época, se chegou a analisar três possíveis áreas (Jundiapeba, Vila São Francisco e Taboão), no entanto, em 2013 a companhia desistiu do projeto para instalação da usina de incineração alegando questões de ordem financeira.

Agora, Kelman defendeu que uma solução para destinação do lixo produzido pelas cidades da Região Metropolitana seja pensada. Para o presidente, a incineração é mais viável que a construção de aterros sanitários. Ele defendeu ainda que o processo da queima dos resíduos também geraria energia. O modelo citado pelo executivo é utilizado em Paris, na França, que conta com três estações que beneficiam e incineram o lixo produzido por uma população de cerca de 6 milhões de pessoas. A Sabesp estuda também queimar o lodo gerado durante o processo de tratamento de água e esgoto.

A questão do lixo é um problema enfrentado por boa parte dos municípios brasileiros, que acabam enviando seus resíduos para lixões. Existe uma lei que determina o fim dessas estruturas. Inicialmente eles deveriam ser extintos em 2014, mas o prazo foi adiado para 2021.

No Alto Tietê, a maioria das cidades contrata uma empresa para recolher o lixo e destiná-lo para aterros sanitários. Em Arujá, a prefeitura gastou em 2016,
R$ 9.641.607,85, com o serviço, ou seja, uma média de R$ 803 mil por mês. Mensalmente o município produz cerca de duas mil toneladas de lixo. Suzano gasta R$ 2,1 milhões por mês para recolher uma média de 7 mil toneladas de resíduos. A Prefeitura de Ferraz de Vasconcelos investe
R$ 1 milhão por mês para recolher uma média de 120 toneladas de resíduos por mês. Em todas, o lixo é levado para Centro de Disposição de Resíduos (CDR) Pedreira, em São Paulo.

Guararema produz cerca de 800 toneladas de lixo por mês. O resíduo é recolhido pela própria administração municipal que encaminha o montante para o aterro sanitário municipal. O orçamento anual do serviço é de R$ 2 milhões. Em Biritiba, o lixo também é recolhido pela prefeitura e levado para um pátio transitório. A administração municipal paga uma empresa que transporta os resíduos para a cidade de Jambeiro pelo custo de
R$ 145 a tonelada. O município produz 700 toneladas de lixo por mês.

Em Mogi são investidos R$ 2.581.277,11 no recolhimento e destinação das 10 mil toneladas de lixo mensalmente. Os resíduos são encaminhados para Jambeiro.

A reportagem procurou as cidades de Itaquá, Santa Isabel, Arujá e Poá, mas não obteve resposta.

CâMARA DEVE CRIAR CEV DO LIXO

Silva: 'Se gasta muito para transportar resíduos para Jambeiro'.
Silva: 'Se gasta muito para transportar resíduos para Jambeiro'. - FOTO: Juliana Oliveira
O vereador Antonio Lino da Silva (PSD) vai apresentar hoje a proposta para criação da Comissão Permanente de Vereadores (CEV) para discutir a destinação de lixo da cidade. De acordo com o parlamentar, a ideia é implantar um sistema no município para cuidar do lixo produzido. Entre as tecnologias que serão estudadas pela comissão estão o aterro sanitário e usina de incineração de resíduos.

Silva afirmou que a cidade gasta um grande volume de recursos para transportar os resíduos para Jambeiro. Para ele, a implantação de uma tecnologia em Mogi acabaria com os gastos e faria com que recursos fossem gerados. "Não tenho certeza do que temos que instalar, se é um aterro, usina ou incinerador. Precisamos encontrar uma solução que seja viável para a cidade e que não atrapalhe a sociedade. Um local possível para instalar algo é na beirada da Dutra, fora da cidade e longe de Santa Isabel, Arujá, Guararema e do parque industrial", destacou.

Segundo o parlamentar, cidades como Indaiatuba, Santos, Paulínia e Ipatinga já possuem soluções. "O município vai ter lucro, pois estamos levando o lixo para longe. Com a CEV vou apresentar um relatório para o Executivo e à comunidade. Depois faremos uma audiência pública para discussão. Não podemos nos dar ao luxo de continuar gastando tanto com o lixo", acrescentou.

De acordo com Silva, o relatório elaborado pela CEV será apresentado no Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat) para que uma solução conjunta possa ser pensada. Entre as visitas que devem ser realizadas pela comissão está a da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), que já acenou com intenção de retomar o projeto de incineração de resíduos. (L.N.)

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