Mulheres com câncer ganham perucas da ONG 'Cabelegria'

Maria Lucia: 'Iniciativa nos dá força para lutar'.
Maria Lucia: 'Iniciativa nos dá força para lutar'. - FOTO: Daniel Carvalho
Pacientes que realizam tratamento contra o câncer no Hospital Luzia de Pinho Melo, no Mogilar, tiveram ontem um dia especial, com a distribuição de perucas para as mulheres que lutam contra a doença, feita pela Organização Não Governamental (ONG) Cabelegria. Mais do que "devolver" os cabelos às pacientes, a entidade consegue resgatar a autoestima e alegria das beneficiadas. Essa foi a segunda vez que a ONG doou perucas às pacientes da unidade. A expectativa era de que mais de 20 mulheres fossem atendidas pela iniciativa. 

O Banco de Perucas Móvel é adaptado para receber as pacientes. O caminhão conta com dezenas de modelos de perucas que as pacientes podem escolher. Diante do espelho elas optam por aquelas que lembram o antigo cabelo ou por qualquer outra que as agradem. Durante a primeira visita da ONG Cabelegria ao Hospital Luzia de Pinho Melo, 28 perucas foram doadas.

A recicladora Odete Maria da Silva Rocha, de 56 anos, foi uma das atendidas pelo projeto. Ela iniciou o tratamento contra o câncer de mama no ano passado e perdeu os cabelos logo após o começo da quimioterapia. Vaidosa, para ela, ter uma peruca era um sonho distante. "Passei em frente a uma loja que vendia perucas, mas elas são muito caras. Agora, com essa doação, acho que minha autoestima vai subir. Gosto de me arrumar. Quando usá-la, acho que ninguém vai me reconhecer", disse.

A cumplicidade era visível no olhar da aposentada Silvana Aparecida Nunes, 49, e do marido Edson dos Santos, 50. Ele acompanhou e ajudou a mulher durante a escolha da peruca. "A pessoa se sente mais tranquila e amada. Esse momento do tratamento é muito difícil, pois elas ficam sensíveis e perdem uma parte importante do corpo, que é o cabelo. Já nos sentimos alegres 24 horas por dia, não tem tempo ruim. Falo que isso é passageiro, quanto mais aceitamos a dificuldade, mais fácil fica enfrentar a vida", ressaltou.

A líder de padaria Maria Lucia Batista de Melo, 49, saiu do hospital com uma peruca parecida com os cabelos que tinha antes de começar o tratamento contra o câncer. "A satisfação é imensa. Espero que esse trabalho não pare, pois ajuda muito quem passa por essa adversidade da vida. Nossa autoestima vai lá em cima. Essa iniciativa nos dá mais força para lutar contra essa doença. Ficamos mais fortes. É uma vitória", avaliou.

PROGRAMA FAZ DOAçãO DESDE 2013

ONG de Mariana realiza um financiamento para garantir ação continue
ONG de Mariana realiza um financiamento para garantir ação continue - FOTO: Daniel Carvalho
A ONG Cabelegria foi fundada em 2013 e desde então vem ajudando os pacientes com câncer. A fundadora da entidade Mariana Robrahn de Camargo é quem ajuda as enfermas a encontrarem qual peruca mais combina com seu perfil.

Sempre com um sorriso no rosto, Mariana mostra as perucas até que as mulheres encontrem a preferida. "É gostoso ver a paciente experimentar quantas perucas quiser para levar a que mais combina com seu rosto", afirmou.

As perucas são confeccionadas com cabelos doados para a ONG. "Antes, só enviávamos pelos Correios uma peruca parecida. Agora ela é 100% a gosto dos pacientes", destacou Mariana.

Para a supervisora do Serviço Social do Hospital Luzia de Pinho Melo, Giovana Félix Martins, a iniciativa ajuda na autoestima de quem enfrenta a doença. "Muitas mulheres chegaram cabisbaixas e até chorando, mas quando se deparam com essa ação, saem renovadas. O paciente oncológico fica muito fragilizado, então, essa iniciativa parece simples, mas para elas tem muita importância", acrescentou.

Ajuda

A ONG Cabelegria está realizando um financiamento coletivo para garantir que o Banco de Perucas Móvel continue o atendimento. O objetivo é comprar o veículo, que hoje é disponibilizado por meio de uma parceria que termina dia 13 de maio. Para colaborar, as pessoas podem acessar o site www.cabelegria.org. Hoje, o caminhão garante que as perucas sejam levadas para diversos hospitais. As pessoas que quiserem doar os cabelos também podem enviá-los para a ONG pelos Correios. A mecha deve ter no mínimo 20 centímetros, estar seca e bem amarrada. Os interessados precisam enviar o cabelo para a A/C Cabelegria, caixa postal 75207, São Paulo/SP, Cep: 02415-972. (L.N.)