Filló é detido por fraude em licitação e desvio de dinheiro

Político diz que errou, mas que nunca cometeu um crime quando era prefeito
Político diz que errou, mas que nunca cometeu um crime quando era prefeito - FOTO: Erick Paiatto
O ex-prefeito de Ferraz de Vasconcelos Acir Filló (sem partido) foi preso na manhã de ontem acusado de fraude em licitação e desvio de dinheiro público. O político foi encontrado em um dos apartamentos que possui, no bairro Anália Franco, em São Paulo, e foi encaminhado para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Mogi das Cruzes. Durante a ação foram apreendidos documentos, computadores e mais de R$ 20 mil em espécie. O dinheiro, inclusive, foi encontrado embaixo de um sofá.

A Força Tática do 32º Batalhão da Polícia Militar (BPM) foi acionada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Guarulhos, por meio do Ministério Público, para cumprir o mandado de busca, apreensão e prisão preventiva. O mandado foi expedido pelo juiz André Forato Anhê, da 3ª Vara da Comarca de Ferraz.

A licitação em questão diz respeito a contratação da empresa Salmo 23, que prestou serviços de informática para a prefeitura nos dois primeiros anos de mandato de Filó.

A Justiça expediu mandados para três endereços de propriedade do político, sendo um imóvel em Ferraz e dois apartamentos em São Paulo. No município ferrazense, a esposa do ex-prefeito estava presente e agiu tranquilamente, segundo a PM. O ex-prefeito foi encontrado sozinho, às 6h40, em um apartamento na capital. A PM disse que Filló se mostrou surpreso, mas colaborou com a ação.

Após a operação, o político foi levado à Delegacia Central de Ferraz para esclarecimentos e o registro do boletim de ocorrência. Por volta do meio-dia, ele foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Suzano para a realização de exame de corpo de delito. Em seguida, ele foi levado ao CDP localizado no bairro do Taboão, em Mogi.

Segundo nota divulgada ontem pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), o processo segue em sigilo. O Ministério Público ainda disse que a operação teve o apoio da Polícia Militar e que "transcorreu no âmbito de ação penal por fraude em licitação e desvio de dinheiro público ajuizada contra o ex-prefeito e outros réus", .

Ontem, os procuradores Sandra Cristina Holanda e Gustavo Rossignolo falaram com a Imprensa sobre a prisão de Filló e lembraram que há mais de 20 processos contra ele na Justiça. Na ocasião foi mencionado ainda que o patrimônio do ex-prefeito pode ser de até R$ 50 milhões.

PATRIMôNIO CHEGA A R$ 50 MILHõES

procuradores - sandra cristina holanda e Gustavo Rossignolo - prisão de Acir Fillo
procuradores - sandra cristina holanda e Gustavo Rossignolo - prisão de Acir Fillo - FOTO: Erick Paiatto
De acordo com os procuradores de Ferraz de Vasconcelos, a ação que levou a prisão de Acir Filló teve início com a investigação da fraude em um processo licitatório, cujo objeto foi a contratação da empresa Salmo 23 para prestar serviços de informática na prefeitura. No entanto, os trabalhos não foram prestados como previsto no contrato. O ex-prefeito também é citado em outros processos de improbidade administrativa que o levou ao afastamento do cargo, em 2015. A procuradoria  lembrou que o patrimônio do político pode ser de até R$ 50 milhões.

A procuradora Sandra Cristina Holanda esclareceu que houve falsificação de documentos, o que levou a procuradoria a iniciar uma sindicância para apurar os fatos. "Propusemos a ação de improbidade por conta da ilegalidade na contratação da empresa. No decorrer do processo teve falsificação de um documento público. A partir daí apresentamos ao MP, para que fosse promovida uma ação penal. A empresa tinha apenas dois funcionários para atender toda a demanda da prefeitura. E o serviço não foi prestado".

Segundo o procurador Gustavo Rossignolo, essa ação teve início em 2015. "Têm vários processos na justiça federal e estadual contra o Filló. São várias demandas", revelou. "O patrimônio dele está em torno de um desvio de R$ 40 a R$ 50 milhões. Por isso têm tantas ações".

A procuradoria informou ainda que existem mais de 20 processos envolvendo o político. "Ainda tem mais coisas para acontecer. Nós fizemos várias representações ao MP. Esse não foi o único processo que representamos. Por enquanto é o único que deu resultado, mas temos outras representações e estamos aguardando", disse Sandra.

A procuradoria lembrou que, durante a gestão de Filló, alguns procuradores sofreram perseguições. "Três procuradores foram afastados de suas funções ilegalmente. Eles estão aparados por mandados de segurança para continuar no trabalho", contou Sandra. "Durante toda a gestão dele foi muito difícil para nós. Tivemos que fazer várias representações. Não conseguíamos ter acesso a documentos e não era possível fazer o nosso trabalho. O Filló alega que é uma questão política. Nós não temos partido, não somos de Ferraz, somos de outras cidades e trabalhamos pelo município", frisou.

EX-PREFEITO FALA EM PERSEGUIçãO

O ex-prefeito de Ferraz de Vasconcelos Acir Filló alega perseguição política e afirma não saber o motivo de sua prisão, decretada ontem, após mandado de busca e apreensão em seus imóveis. O político também disse não ter conhecimento sobre a quantia de mais de R$ 20 mil achadas embaixo do sofá do apartamento em que foi encontrado.

Filló afirmou, ontem, que os advogados já foram acionados e um pedido de habeas corpus deve ser providenciado. "Eu mal sei do que se trata. Sei superficialmente que é da empresa chamada Salmo 23. Nunca fui processado, nem condenado. Sou réu primário", afirmou ontem, durante declaração à Imprensa. "Claro que cometi erros na prefeitura, como todos os prefeitos cometem no Brasil inteiro. Mas não cometi crime algum. Estou à disposição da Justiça para responder o que for necessário. A verdade será esclarecida e não vou fugir da minha responsabilidade", prometeu o político.

Sobre a empresa contratada ilegalmente, o político disse que o serviço foi prestado na cidade. "A licitação foi aprovada pelo Tribunal de Contas e denunciada pelos procuradores que vêm nessa guerra contra os prefeitos há muito tempo", disse.

O ex-prefeito lembrou dos processos em que é apontado por improbidade e acusou a procuradoria do município de perseguição, lembrando que foi inocentado de outras ações e que documentos falsos foram usados para incriminá-lo.