Doria 2018

Os dois principais entraves à candidatura do prefeito de São Paulo, João Doria, à Presidência da República pelo PSDB, o senador Aécio Neves e o governador Geraldo Alckmin foram duramente atingidos pelas delações da Odebrecht. E não só eles, FHC, ex-presidente e crítico de Doria, o senador José Serra, o senador e ministro Aloysio Nunes, enfim, a cúpula tucana foi citada nas delações da empreiteira.

João Doria precisa parar de criar personagens midiáticos e se preocupar em criar musculatura política para se tornar o candidato do PSDB à Presidência. Precisa caminhar com as suas próprias pernas e se descolar, deixar de ser tutelado e passar a ser o seu próprio tutor, numa rápida emancipação política-eleitoral.

Não será fácil, mas parecer não haver outro nome no partido para assumir esse desafio político. Doria se apresenta como o anti-Lula e o anti-PT, seu discurso voraz contra os dois parece ter encontrado eco entre os paulistanos. Agora precisa deixar de ser apenas o "coxinha" de São Paulo e tornar-se o João brasileiro.

Tem pouco tempo, mas pra isso tem a maior vitrine do País, a maior e mais rica cidade brasileira. Precisa de um ou uma vice forte, que lhe agregue uma brasilidade sertaneja. Seus óbices naturais dentro do partido enfraqueceram. Embora sejam apenas inquéritos, investigações, todos sabem que em uma campanha eleitoral as investigações se tornam sentenças de morte política.

Lula, o candidato mais forte, dificilmente escapará da caneta de Sérgio Moro e quem sabe até de uma eventual prisão. Ciro Gomes concorre com ele mesmo, seus rompantes põem tudo a perder. Marina parece não empolgar.

Doria se apresenta como o novo, o "não político" e o "gestor". Pois tem um ano para convencer o Brasil disso. Precisa adotar um discurso nacional e seu padrinho, que acertou em sua escolha para prefeitura, pode agora, após a delação do fim do mundo, apostar no pupilo para o mais alto posto da República. João Doria precisa melhorar muito, mas tornou-se, definitivamente, o candidato viável do PSDB.

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