De qualquer jeito

O governo federal tenta, desde que Dilma Rousseff foi afastada, empurrar goela abaixo do povo a reforma da Previdência Social. Apesar de necessárias, as mudanças geram críticas não pelo motivo em si - recuperar o poder de pagamento das aposentadorias e dos benefícios -, mas pela forma com que é tratada pelos políticos, como um produto qualquer, feito de qualquer jeito. Aliás, esfacelar aos poucos os projetos é um dom dos deputados, senadores e outras autoridades, como podemos lembrar do pacote de medidas anticorrupção, que nada mais tem a ver com a ideia original.

Especialistas e estrategistas utilizam essa ação como uma técnica de trabalho - inverter as coisas a favor de si próprio. Veja bem, o projeto anticorrupção iria deixar muitos políticos vulneráveis à Justiça. Agora, com tantas mudanças, quem fica na mira de uma punição são juízes e ministros, ou seja, os políticos viraram o jogo a favor deles.

Com a reforma da Previdência é a mesma coisa. Primeiro, ela deveria focar nas empresas, que não repassam os valores do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). São bilhões deixados de serem entregues aos cofres da União. No entanto, a conta vai para o trabalhador, que será abusado duas vezes. Primeiro pela empresa, que não repassa o valor, e depois pelo governo, que vai cobrá-lo para trabalhar mais tempo para se aposentar.

Além disso, como estratégia para conquistar votos de deputados e senadores para aprovar a lei, o governo alterou ainda mais o pacote de medidas, excluindo das mudanças, por exemplo, os servidores estaduais e municipais. Agora, quer dar mais benefícios ainda a trabalhadores rurais e policiais. E especialistas já indicam que o projeto pode mudar mais ainda, até que os políticos se convençam e votem a favor dele.

Com toda certeza, a população aceitaria as mudanças na Previdência desde que ela fosse realizada com bom senso, honestidade e de forma gradativa. Porém, ela já começa errada, empurrando para o trabalhador todo o problema. É como se o governo visse no povo um escravo sem direito de reclamar ou reivindicar.

Para se ter uma ideia, recentemente, tiraram o direito dos policiais de fazer greve, como se eles a fizessem por birra ou safadeza. Não, as greves ocorrem por falta de pagamentos. E o governo quer continuar revertendo a situação a seu favor. Enquanto o Espírito Santo estava em guerra pela falta de pagamentos aos policiais, políticos votavam o aumento de seus próprios salários.

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