'Nova' Fifa

A partir de 2026, a Copa do Mundo de Futebol da Fifa contará com 48 seleções em disputa, 16 a mais do que no atual sistema. Quando criada, em 1930, e tradicionalmente disputada a cada quatro anos, o idealizador do torneio, o francês Jules Rimet, pensou em organizar uma competição reunindo as melhores seleções do mundo. Na época da primeira edição, realizada no Uruguai, as viagens tinham que ser feitas de navio, por isso, contou com apenas 13 equipes. Depois, com o sucesso do torneio e maiores facilidades de deslocamento, o número de interessados aumentou, passando para 16 seleções, anos depois 24 e desde 1998 o torneio é disputado com 32 equipes.

Com 48 seleções, as eliminatórias para o mundial, para início de conversa, passará longe de ser emocionante, sendo que a Copa do Mundo terá espaço de sobra para todas as seleções tradicionais, as pequenas e as totalmente inexpressivas. Pode apostar que veremos muitas seleções ruins disputando a competição que, como lembrado no início do texto, foi criada para reunir apenas as melhores equipes de cada continente.

A novidade do aumento para 48 seleções levanta uma questão: seria uma forma de democratizar ou banalizar o torneio? Evidentemente, o discurso da Fifa se baseia na democratização e união dos povos. Mas não nos esqueçamos que estamos falando de uma das entidades mais corruptas e poderosas do mundo, então, como não levantar suspeita em relação à qualquer ação desta instituição? Esse "inchaço" que estão propondo à Copa do Mundo pode estar muito bem voltado a interesses políticos e comerciais, e não à democratização. O mundial de futebol é uma competição milionária e a Fifa se aproveita disso em prol de seu grande evento, que passa pela venda de transmissões televisivas, de produtos, de patrocínio, além de mobilizar países por interesses próprios.

Depois das recentes e escandalosas denúncias que afastaram "patrões" da Fifa, como o francês Jérôme Valcke, o suíço Joseph Blatter e o próprio brasileiro José Maria Marin, a nova diretoria da Fifa luta para reconstruir esta poderosa marca e, para isso, busca aliados. E um dos meios para garantir uma base política forte e criar alianças com várias nacionalidades é oferecer mais vagas para países que queiram ter participação nos lucros do mundial, mesmo não tendo tradição nenhuma no futebol. Isso aumenta a adesão à nova diretoria da instituição e agrada a vários países, mesmo que não tenham representatividade alguma no futebol.

Vindo da Fifa, o discurso de democratização e união dos povos é uma grande balela.