Rumo a Curitiba

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse na quinta-feira passada que as acusações feitas contra ele feitas pelo empresário Marcelo Odebrecht são "irreais". Bem diferente do depoimento dado pelo dono da empreiteira um dia antes ao juiz Sérgio Moro, quando afirmou ter destinado cerca de R$ 40 milhões a Lula. O ex-presidente, por sua vez, cobra provas do empresário, preso há dois anos, e o acusa de tentar criar condições para sair da cadeia.

O que deixa algumas pessoas na dúvida sobre as acusações, principalmente os seguidores de Lula, é a tamanha confiança do ex-presidente a se classificar como inocente, desafiando qualquer empresário a provar que ele já tenha recebido qualquer propina. Mas de forma sutil ele colocou um "porém": "Se alguém pediu (dinheiro) em meu nome, a pessoa tem que ser presa, porque eu nunca autorizei ninguém a pedir dinheiro em meu nome".

Apesar da confiança de Lula, é difícil imaginar que um delator falte com a verdade em seu depoimento, afinal, isso pode fazer com que ele perca o direito de redução de pena. Ou seja, neste momento, em que muita sujeira está sendo desvendada, qualquer delator tem mais credibilidade do que o acusado, e o cenário não muda só porque o suspeito é o poderoso Lula. Isso pode significar que a campanha "Lula Rumo a Curitiba" pode estar mais perto do que se imagina.

Muitos acreditam que esta corrupção explícita está chegando ao fim. A impressão que se tem é que para onde o "revólver da anti-corrupção" estiver apontado serão descobertos casos fraudulentos. Com isso, poderemos começar a vislumbrar um Brasil mais justo, com um novo Congresso, mas isso também depende do povo. O País só vai mudar quando a mentalidade da população também seguir o mesmo caminho. Há quem diga que a mudança na cabeça dos brasileiros em relação à política e ao futuro do Brasil já começou quando o "gigante acordou", com o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

Mas também há aqueles que não acreditam na mudança, mesmo após seguidas denúncias, já que o sistema político pode corromper qualquer um que esteja nele. E olhando para o futuro não é difícil de acreditar que, por mais que tenhamos a sensação de mudança, logo surgirão outros políticos corruptos que substituirão os presentes.

É bom que a primeira opção (a da mudança) prevaleça, caso contrário, ainda corremos o risco de eleger Jair Bolsonaro (PSC) em 2018 por W.O.