Sem festa

Se no dia a dia é preciso tomar cuidado com ações e atitudes para não ferir o próximo, imagine após uma tragédia que matou 71 pessoas. Cada passo precisa ser dado com cuidado, pois há famílias abaladas, pessoas em luto e muita sensibilidade no ar. Infelizmente, a Chapecoense parece estar tropeçando em seus primeiros passos após o acidente de avião que marcou (com tristeza) para sempre a história do futebol. O pior é que o clube corre o risco de perder o título de mais querido do Brasil e pode começar a ter desafetos dentro e fora de Santa Catarina.

Os primeiros erros foram dados quando o time disputou a partida da Recopa Sul-Americana contra o Atlético Nacional, no início deste mês. O reencontro com o time colombiano, que disputaria a final da Sul-Americana do ano passado com os brasileiros, teve bastante festa e Chapecó teve até feriado. O objetivo da diretoria do clube brasileiro era homenagear o time da Colômbia, que chegou dar o título da Sul-Americana ao time de Santa Catarina. Mas a "bondade" dos novos dirigentes da Chapecoense atingiu diretamente as famílias dos jogadores e comissão técnica mortos na tragédia.

Diante da festa e do feriado, as famílias se viram abandonadas e deixadas de lado. Ninguém foi convidado para o jogo festivo, nem mesmo foram lembrados. O que ficou deste evento foi que o departamento de marketing do clube parece mais interessado em ganhar destaque na mídia do que em afagar e cuidar das pessoas atingidas diretamente pela tragédia.

O filho do técnico Caio Júnior anunciou que entrará com processo contra a Chapecoense. Depois dele, outros parentes de vítimas também confirmaram que vão procurar a Justiça. Segundo eles, a nova diretoria do clube está se aproveitando da tragédia para reformular o elenco, investir na equipe e ganhar fama com a visibilidade, e que os direitos dos familiares dos jogadores mortos estão em segundo plano.

Certamente, a Chapecoense não esqueceu dos mortos, muito menos está se aproveitando da tragédia. No entanto, marqueteiros e dirigentes podem estar empolgados demais com a visibilidade que o time conseguiu após o acidente. Nessa hora é preciso muita serenidade e bom senso. Primeiro é preciso acolher e cuidar de quem sofre ainda com a tragédia. A reformulação do time deveria vir depois. O que menos o Brasil precisa são de aproveitadores. Que a Chapecoense não esqueça que os jogadores mortos na queda do avião tinham famílias, que ainda não superaram o ocorrido. A festa fica para depois.

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