Efeito político

Há situações e ações envolvendo agentes públicos que causam algum tipo de dúvida ou mesmo estranheza. Nem tanto pelo conteúdo, mas quase sempre pela forma. Por essa razão, tomando como exemplo o evento de anteontem em Mogi das Cruzes, com a presença do governador Geraldo Alckmin (PSDB), não é difícil que surgisse um simples questionamento: qual a razão de se inaugurar o imóvel do novo Fórum de Brás Cubas se o funcionamento só começará daqui a três meses?

A pergunta pode soar ingênua, claro, pois o palanque político estava feito no dia, evidenciou várias figuras e foi benéfico para a imagem do governo do Estado. Por se tratar de uma obra com a conclusão tantas vezes adiada e aguardada por advogados, promotores, juízes, funcionários do Judiciário e também pela população, pois desafogará o Fórum central, o mínimo que se esperava era a entrega do prédio literalmente pronto, prestando atendimento. Até mesmo porque a inauguração do imóvel não teve efeito prático nenhum, só político. Há todo o processo ainda de se mobiliar e equipar, além de transferir muita coisa do centro para Brás Cubas, mas aí alguém resolveu não esperar e entregar logo. E também acaba sendo motivo para ter outro evento lá em julho de novo (quem sabe?).

Algo semelhante também foi possível constatar em relação a outro anúncio feito por Alckmin no evento de anteontem. Segundo ele, no dia 4 de maio, governo do Estado e Prefeitura de Suzano assinarão um convênio que garantirá R$ 12 milhões, por meio da Agência de Desenvolvimento Paulista, a Desenvolve SP, para obras de conclusão da avenida Governador Mário Covas Júnior, a Marginal do Una. Outra novela que se arrasta há duas décadas, atravessando administrações e promessas nunca cumpridas ao longo do período. Trata-se de uma importante via de ligação com a rodovia Índio Tibiriçá (SP-31) e que aliviaria o tráfego na região central da cidade se estivesse completa.

O governador elogiou o prefeito Rodrigo Ashiuchi (PR) por ter enxugado o projeto de R$ 76 milhões, como foi orçado inicialmente, para R$ 12 milhões. Resta saber se o valor será suficiente para conseguir fazer o que é necessário no local em relação ao pavimento, à iluminação, ao canal por onde passa o rio Una etc. Sem contar que o valor será liberado por meio de financiamento, ou seja, é o município que pagará toda a obra, não o Estado. Talvez aí também esteja o interesse da prefeitura em não elevar tanto o montante, justamente para não implicar em prestações tão altas.

Enfim, agora está posto. Só resta ver como tudo se desenrolará.