Sempre o lixo

Esquecida já há algum tempo, a problemática da destinação do lixo doméstico parece estar voltando à tona. Depois de tantos projetos e da mobilização para o afastamento da possibilidade da instalação de um aterro sanitário em Mogi das Cruzes, um novo plano começa a surgir e envolve a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). É intenção da empresa estadual ampliar sua atuação em relação ao assunto na Região Metropolitana, de acordo com o presidente Jerson Kelman.

Ainda que seja tudo embrionário ainda, suscitar a possibilidade de algo ser concretizado por aqui é bastante válido. A união regional se mostra cada vez mais inevitável para que se solucione questões não apenas de uma cidade, mas de um conjunto delas, como o Alto Tietê. Todas enviam seus detritos domésticos para aterros sanitários de fora, que ficam em Jambeiro (caso de Mogi) e São Paulo (os demais municípios).

Esse assunto é discutido há tanto tempo e não se chega a nenhuma conclusão. Já se pensou em centrais de triagem, usinas de compostagem, ampliação da reciclagem, entre tantas outras ações, mas o fato é que o lixo produzido pelos habitantes da região, como da maioria das cidades brasileiras, continua sendo direcionado para os tradicionais aterros. Os que aqui existiam chegaram ao limite e nem voltarão a operar mais. Os de fora que recebem os detritos em algum momento também vão saturar.

Pensar em alternativas, e rápido, é essencial e ecologicamente correto. Sem contar que ajudará na qualidade de vida das pessoas e na saúde financeira das prefeituras, que não precisarão mais investir tanto dinheiro em viagens de caminhões com detritos para lugares que ficam bem longe daqui.

O presidente da Sabesp, como mostra a reportagem de hoje, defende que a incineração seja mais viável que a construção de aterros sanitários. Principalmente porque o processo da queima dos resíduos também poderia gerar energia. É o mesmo modelo que existe em Paris, na França, que conta com três estações que beneficiam e incineram o lixo produzido por 6 milhões de habitantes. Da mesma forma, também é cogitado pela Sabesp queimar o lodo gerado no processo de tratamento de água e esgoto.

Essa questão é urgente e precisa logo de um direcionamento. A iniciativa da Sabesp de entrar no assunto na Grande São Paulo é muito importante e válida, ainda que esteja tudo no campo dos estudos. Certamente, é algo que se for concretizado será a longo prazo. Tomara que seja o começo de algo que venha a solucionar o assunto de vez.

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