Pais, filhos e Internet

As novas tecnologias trouxeram modificações em todos os campos da sociedade, assim como a forma das pessoas se relacionarem. Antes da chegada de tantos equipamentos tecnológicos e deste teórico "encurtamento de distância entre pessoas" - graças às redes sociais -, o entendimento entre pais e filhos parecia ser mais "simples".

Os pais sempre tiveram o mundo como seu grande e inevitável concorrente para a formação de seus filhos. Hoje, a situação é mais complexa, já que é possível fazer essa conexão com o mundo de dentro de casa, pelo computador. Antes disso, parecia ser mais fácil ter como espelho o pai ou a mãe, já que a educação dependia quase que exclusivamente dos ensinamentos que os progenitores passavam aos seus descendentes. Hoje, as redes sociais (muitas vezes, antissociais) apresentam perigos que não podem ser ignorados pelos responsáveis.

Por isso é importante que os adultos acompanhem de perto o uso da Internet de seus dependentes. Temos um exemplo claro dos perigos das redes sócias, que está em alta: o jogo da Baleia Azul, série de 50 desafios, cujo objetivo final do jogador é acabar com a própria vida. Ele consiste em vários desafios diários, enviados à vítima por um "curador". Há desde tarefas simples, como desenhar uma baleia azul numa folha de papel, até outras estranhamente mórbidas, como cortar os lábios ou furar a palma da mão. Em outra tarefa, o participante deve desenhar uma baleia azul em seu antebraço com uma lâmina. Como desafio final, o jogador deve se matar. Alguns adolescentes no mundo todo, infelizmente, já chegaram ao desafio derradeiro. Por isso, parte da urgência em se tratar de temas como depressão e suicídio entre crianças e adolescentes está na facilidade de acesso que esse público tem ao mundo web, ambiente que os expõe a mais riscos.

Mas, certamente, coibir o uso de aparelhos com conexão à Internet é um método que está sujeito ao fracasso, já que é impossível, além de irresponsável, deixar os filhos à parte dos costumes contemporâneos. Além de não prevenir os riscos, pode comprometer o vínculo de confiança entre a família.

Deve-se, sim, estabelecer acordos, com definição dos horários adequados para usar a Internet e, por que não, compartilhar a senha das redes sociais com o filho - criança ou adolescente -, que está em processo de formação de caráter. Resumindo, o mundo web não deve ser "escondido", assim como os hábitos virtuais dos filhos, que devem ser monitorados.