Desordem

Qual o efeito prático que a paralisação de várias categorias hoje poderá causar? Difícil mensurar. O mínimo que se confirma é que se trata de manifestação generalizada para evidenciar uma insatisfação com medidas do governo federal: as reformas trabalhista e previdenciária e a lei da terceirização.

Embora seja um movimento encabeçado por lideranças sindicais, não surgido de maneira espontânea da população, como o foi quando dos protestos Brasil afora em clamor pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, ainda é a exposição de um sentimento de quem está se colocando contra alguns aspectos que podem, segundo muitos defendem, impactar profundamente na vida e no futuro da população. Será suficiente para mudar alguma coisa? Talvez. Anteontem, o texto base da reforma trabalhista foi aprovado na Câmara e seguiu para o Senado, com alguns itens que não conseguiram ser alterados como desejavam alguns deputados, como o da contribuição sindical (aquela que o trabalhador paga ao sindicato da sua categoria e corresponde a um dia do salário), que deixará de ser obrigatória, caso a lei seja sancionada dessa forma.

"Os sindicatos fazem greve porque ninguém é consultado", já cantavam os Titãs no clássico "Desordem", de 1987. No geral, a decisão de parar foi das entidades, não dos trabalhadores. Há realmente pontos que devem ser contestados em relação às reformas, mas uma paralisação geral em plena sexta-feira que antecede um feriado na segunda seguinte faz pensar em algumas motivações não tão nobres assim. O direito de greve é constitucional, mas quando todas as partes estão envolvidas, inclusive os empregadores.

No transporte, por exemplo, se realmente for cumprida a promessa do Sindicato dos Rodoviários de Mogi e Região, não haverá qualquer ônibus - embora a Justiça tenha determinado que os coletivos rodem normalmente hoje. Resultado: pessoas serão obrigadas a faltar no trabalho, não será uma escolha, será compulsório. Mais uma vez: essa situação vai causar um efeito benéfico a todos? O que se espera com a greve geral? Não há dúvida que a reforma da Previdência, por exemplo, causa temor em muita gente, que não sabe se de fato algum dia vai conseguir se aposentar. Mas como fazer para conseguir mudar isso?

A intenção é que a greve sensibilize a classe política, mais especificamente deputados federais e senadores. Se algo for alcançado em benefício, ótimo. Mas do contrário... "Quem quer manter a ordem? Quem quer criar desordem"?

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